Novo game do Harry Potter vai permitir personagens trans

Decisão da produtora não deve ter deixado a criadora da saga, J.K Rowling muito feliz, visto que nos últimos anos ela tem defendidos teses essencialistas e transfóbicas

O próximo jogo inspirado na franquia de Harry Potter vai permitir que os jogadores personalizem a voz, o tipo de corpo e a identidade de gênero de seu personagem. A decisão deve ter contrariado a autora de Harry Potter, J.k. Rowling, pois, nos últimos anos ela assumiu teses essencialista e transfóbicas.

Hogwarts Legacy, que deve ser lançado em 2022, será produzido pela Warner Bros. Interactive Entertainment Inc., braço da produtora de filmes e séries voltado para games.

De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg News, o objetivo da Warner é justamente tornar a saga Harry Potter mais inclusiva no que diz respeito às orientações sexuais e identidades LGBT.

A decisão da Warner vai de encontro as posturas e crenças da autora da saga no que diz respeito, principalmente, as pessoas transexuais. Em 2020, Rowling publicou um texto em seu blog onde alertava “para uma ameaça trans à educação infantil e juvenil”.

O texto transfóbico da autora pegou tão mal, que os protagonistas da franquia, Daniel Radcliffe (Harry Potter) e Emma Watson (Hermione) foram à público declarar que não concordavam com as declarações da autora e pediram aos fãs para se apegarem a obra e a importância dela para a vida de milhões de pessoas e, por fim, ignorarem J.K Rowling.

Hogwarts Legacy teve o seu lançamento adiado, pois, algumas empresas que tinham interesse em investir no game, como a AT&T, declinaram após as declarações transfóbicas de Rowling.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).