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23 de outubro de 2014, 17h43

“O Brasil não é mais um país contente internacionalmente”

Em evento sobre a política externa, professores reforçam a maior integração regional que aconteceu com os governos petistas

Por Bruno Pavan, em Brasil de Fato

No último dia 17, a PUC de São Paulo foi pal­co do debate Política Externa Brasilei­ra nas eleições presidenciais de 2014: caminhos possíveis. Com a presença de Deisy Ventura (USP), Gilberto Marin­goni (UFABC), Sebastião Velasco (UNI­CAMP) e o assessor especial da presi­denta da República, Marco Aurélio Gar­cia, o evento analisou a chamada políti­ca externa ativa e altiva, presentes nos governos Lula e Dilma.

A professora livre-docente do Institu­to de Relações Internacionais da USP, afirmou que um dos grandes avanços na política externa de 2003 é que o Bra­sil não é mais um país contente interna­cionalmente, como era no governo Fer­nando Henrique Cardoso. “Eu não vo­to em candidato que pensa que é euro­peu”, criticou.

Já o professor adjunto de Relações Internacionais da UFABC Gilberto Ma­ringoni reforça que é na política exter­na onde mora a maior diferença entre os dois projetos presentes no segundo turno. “Existem algumas convergências na aérea econômica, mas é nas relações internacionais onde há o maior corte entre os dois candidatos”.

Integração regional

A cooperação Sul-Sul é uma das gran­des novidades das Relações Internacio­nais no país. Só no governo do ex-pre­sidente Lula o Brasil abriu mais de 40 embaixadas em diversos países de Áfri­ca, fato que foi duramente criticado pe­la grande imprensa brasileira à época.

A professora Deisy criticou a propos­ta de Aécio Neves de aproximar o Bra­sil com o pacífico, e reforçou que o PS­DB olha para as relações internacionais com um olhar quase que exclusivamen­te no comércio. Maringoni alerta para a proposta de desmonte do Mercosul pro­posto pela campanha tucana, que ficaria limitado a uma área de livre comércio.

“Eles querem implodir o Mercosul, e isso não é palavrório de esquerdis­ta. O futuro ministro das Relações Ex­teriores de Aécio, Rubem Barbosa, de­fendeu essa posição em artigo no Esta­dão. Implodir o Mercosul significa im­plodir toda uma construção de uma dé­cada de integração que não é só comer­cial, é muito mais profunda, de diver­sos governos de esquerda que ascende­ram na última década. Isso também vai contra algo que foi construído de forma muito habilidosa que é a diversificação dos parceiros comerciais e políticos do Brasil, criticou.

Marco Aurélio Garcia questionou a cobertura da imprensa que, para ele, faz um trabalho da falsificação das no­tícias. Ele usou o exemplo sobre o acor­do do Mercosul com a União Europeia, que foi assinado pelos quatro membros do bloco.

“A mídia está dizendo que esse acordo não está saindo por que a Argentina é contra. Falso. Os quatro países do Mer­cosul, a Venezuela não quis participar porque era membro novo, já assinaram a proposta. Acontece que nos reunimos com o presidente da Comissão Euro­peia Durão Barroso e com a presiden­ta alemã Angela Merkel e eles nos disse­ram que não havia nenhuma contrapro­posta europeia e que dificilmente os 28 países vão aceitar o acordo ”, afirmou.

Política interna

Quase esquecido nos debates presi­denciais, grande parte da população não dá a devida importância para a di­reção da política externa no país, sem saber que muitas vezes o que acontece ao redor do mundo influencia direta­mente a vida do povo.

O professor Maringoni pontua gran­des crises que aconteceram no mun­do nos últimos 12 anos que integrou de forma direta a agenda interna brasilei­ra. Ele lembrou de fatos que ocorreram na América Latina como os golpes con­tra os ex-presidentes do Paraguai e de Honduras e das relações do Brasil com Venezuela, Bolívia e Equador.

“A pauta da política externa foi tão determinante que nós só conseguimos aprovar algo que ainda é inédito em mui­tos países do mundo, que é o Marco Civil da internet, somente após as denúncias do Edward Snowden. Só os movimentos que estavam nessa luta não teriam forças para conseguir essa aprovação frente ao lobby das telefônicas. Quando o Snow­den denuncia que até a comunicação in­terna do governo estava sendo espiona­da pela NSA, o cenário interno do Con­gresso muda e possibilita a aprovação da neutralidade da rede”

Foto de Capa: Roberto Stucker/PR


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