O Facebook não contrata pessoas negras porque “elas não se encaixam na cultura”, diz relatório

Porta-voz da empresa rejeita acusações e diz que eles trabalham com “sólidas políticas” de inclusão e diversidade

De acordo com o relatório do Comitê de Oportunidades Iguais de Emprego (Equal Employment Opportunity Commission, em inglês), candidatos negros a cargos no Facebook afirmam que, mesmo preenchendo todos os requisitos, forem rejeitados e que escutaram que eles “não eram de uma cultura adequada”.

Outras pessoas endossaram a denúncia ao jornal Washington Post e também afirmaram, assim como os denunciantes da Comissão, que não conseguiram o cargo mesmo terem cumprido todas as qualificações.

“Não há dúvida de que você pode fazer o trabalho, mas estamos realmente procurando um ajuste cultural”, disse um gerente de contratação a um dos três candidatos que conversaram com o Post.

Oscar Veneszee Jr, gerente de operações do Facebook, declarou ao jornal que vários candidatos qualificados que ele indicou para empregos na empresa forem rejeitados por não serem “adequados
à cultura”.

“Quando eu estava entrevistando no Facebook, o que me diziam constantemente era que eu precisava me encaixar na cultura e, quando tentei recrutar pessoas, sabia que precisava encontrar pessoas que se encaixassem na cultura. Mas, infelizmente, poucas pessoas que eu conhecia poderiam passar nesse desafio porque a cultura aqui não reflete a cultura do povo negro”.

O porta-voz do Facebook negou as acusações e disse que a empresa não leva “cultura adequada” em consideração ao contratar trabalhadores.

“Adicionamos metas de diversidade e inclusão às avaliações de desempenho dos líderes seniores. Levamos a sério as alegações de discriminação e temos políticas e processos robustos em vigor para os funcionários relatarem preocupações, incluindo preocupações sobre agressões e violações de políticas”, disse o porta-voz.

Porem, Rhett Lindsey, ex-recrutador do Facebook, afirmou ao The Post que “não há marca de seleção de adequação à cultura em um formulário de inscrição, mas no Facebook é como uma nuvem invisível que paira sobre os candidatos de cor”.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).