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31 de Maio de 2016, 19h30

O FMI e sua crítica à política neoliberal

Na última semana, em artigo publicado em sua principal revista, o Fundo Monetário Internacional, através de seus principais economistas, criticou veladamente a agenda neoliberal. No Brasil, no entanto, ao contrário do que prega o chamado mercado e parte da mídia, o governo golpista representa retrocesso nas ideias e no pensamento econômico

Por Paulo Daniel*

Na última semana, em artigo publicado em sua principal revista, o FMI (Fundo Monetário Internacional) através de seus principais economistas criticou veladamente a agenda neoliberal.

Intitulado, “Neoliberalism: Oversold?” (em uma tradução livre; “Neoliberalismo: Superestimado?”) o artigo demostra um debate bastante interessante em curso no próprio FMI, refletindo sobre os limites e insucesso de políticas neoliberais tão propaladas e executadas, principalmente, a partir dos anos 80, nos chamados países em desenvolvimento.

Este trabalho avalia, centralmente, dois pontos importantes da agenda neoliberal: a liberalização da conta de capital, ou seja, a liberdade que os capitais, especulativos ou não, possuem em entrar e sair de um país, como por exemplo, o Brasil; e, também, a dita cuja austeridade fiscal, algo que estamos vivendo e sobrevivendo mais pronunciadamente desde 2015 e, ao que tudo indica, aprofundado com o fiscalismo golpista.

Os autores reconhecem que as políticas implementadas com viés neoliberal resultaram em aumento da desigualdade social e sérios comprometimentos ao crescimento econômico dos países.

Pois bem, no Brasil, desde a implementação do Plano Collor e, em seguida, a partir de 1994, com o Plano Real, a agenda neoliberal segue com maior ou menor intensidade, com forte redução dos gastos públicos, privatizações (lembremos: Usiminas, Vale, setor de telefonia, setor elétrico etc.)

A partir de 1999, implementa-se a chamada políticas de metas de inflação (câmbio valorizado, superavit fiscal primário, taxas de juros elevadas), cujo principal objetivo é manter a inflação dentro da meta, nem que para isso tenha que aumentar o nível de desemprego ou reduzir a renda ou o crescimento econômico. Esta agenda brasileira baseada no famoso consenso de Washington, como o artigo dos economistas do FMI nos mostra, aumentou veloz e violentamente o desemprego, com crescimento econômico negativo e, por consequência, a desigualdade social. Essa foi a nossa década mais do que perdida brasileira.

Mundo afora, economistas ortodoxos relativamente sérios estão reavaliando suas teses e pensamentos e rediscutindo o papel do Estado na economia capitalista contemporânea, como elemento indutor e regulador do processo econômico.

Já em terra brasilis, essa discussão é ainda muito modesta na academia ortodoxa, o capital tem sincopes sobre isso e os que decidem ou executam a política ou estão desatualizados ou não desejam, de fato, elaborar políticas econômicas para o conjunto da sociedade.

Para tanto, observemos nosso passado recente. Joaquim Levy foi escalado para reestabelecer a confiança do capital. Elogiado por parte da mídia, o que se viu após um período: a confiança desmanchou-se no ar, e a busca do tão desejado superavit primário resultou na ampliação do deficit. Já, outro salvador do capital, com a chancela de golpista, Henrique Meirelles, anunciou um pacote na última semana ainda mais recessivo. Observa-se que ambos não estão sintonizados, ou não querem, com o debate/discussão de seus pares ortodoxos, como por exemplo, o FMI. Ou seja, além de aplicarem medidas recessivas, estão atrasados e tardios em suas propostas e políticas. Ao contrário do que prega o chamado mercado e parte da mídia, o governo golpista também representa retrocesso nas ideias e no pensamento econômico.

Clique aqui e veja o artigo do FMI

paulod*Paulo Daniel – Editor do blog Além de Economia, é economista, mestre em economia política pela PUC-SP, Doutorando em Economia pela Unicamp (Universidade de Campinas-SP), corinthiano, professor, consultor com mais de 10 anos de experiência tanto na iniciativa privada como em instituições públicas. 


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