Entrevista exclusiva com Lula
28 de junho de 2007, 14h18

O ministro Temporão está precisando de óculos

Em entrevista a Fórum, Welington Galvão, presidente do sindicato dos médicos de Alagoas, comenta a paralisação da categoria, critica Teotônio Vilela, governador do estado, e a declaração do ministro Temporão sobre o caos na saúde.

Em entrevista a Fórum, Welington Galvão, presidente do sindicato dos médicos de Alagoas, comenta a paralisação da categoria, critica Teotônio Vilela, governador do estado, e a declaração do ministro Temporão sobre o caos na saúde.

Por Brunna Rosa

A categoria dos profissionais da saúde, de braços cruzados há três semanas em Alagoas, reivindica aumento salarial de 50% e melhores condições de trabalho. O governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB) vê as principais categorias de servidores públicos entrarem em greve. A mais longa das paralisações foi a dos professores, por 70 dias.

Em entrevista a Fórum, Welington Galvão, presidente do sindicato dos médicos de Alagoas, comenta o impasse das negociações e afirma que o fim da greve só depende do governo estadual, que em vez de procurar formas de negociá-la joga na ilegalidade a greve dos servidores públicos. A proposta de aumento salarial de 5% foi rejeitada pela categoria.

Para Welington o caos na saúde existe, contrariando as recentes afirmações do ministro José Gomes Temporão, na sabatina da Folha de S.Paulo, na segunda, 25.

FÓRUM- A greve da categoria chega a terceira semana de impasse. Existe alguma negociação com o governo em andamento?

WELINGTON GALVÃO– Ontem [terça-feira, 26], aconteceu uma reunião com o vice-governador, José Wanderley Neto, com o Eduardo Santana, da Federação Nacional dos Médicos (FNM) e o Sindicato dos Médicos de Alagoas. Na reunião foi levantada a possibilidade da instauração de uma mesa de negociação. Um pressuposto para tal é o governo se desarmar quanto à categoria médica. A cúpula do governo se reunirá hoje [quarta-feira, 27], para determinar uma negociação, onde todos sejam contemplados e a população volte a ter a assistência médica que merece. O fim da greve depende do governo. Não aceitaremos a proposta de reajuste de salário de 5% e nenhuma melhoria em nossa situação de trabalho.

FÓRUM- Quais foram são as atitudes problemáticas do governo que levam o senhor a falar na necessidade de desarmar?

GALVÃO– O governo conseguiu na Justiça duas liminares, de juizes diferentes, colocando a greve na ilegalidade. As liminares são da juiza Ester Manso e do juiz Lever Loureiro. A segunda liminar diz, inclusive, que o trabalhador público não tem direito a greve, contestando a decisão do Supremo Tribunal Federal e do Supremo Tribunal de Justiça.

Mesmo com estas liminares a categoria definiu, em assembléia, que manteria a greve. Em seguida entramos com um pedido de legalidade de greve. O juiz Jerônimo Roberto, que estava de plantão no Fórum na 11ª Vara Cível da capital, definiu como legal a nossa greve. Foi emitida uma nota declaratória ao Estado e ao sindicato alegando que a constituição permite a greve dos servidores públicos. Mas, a nota não pode derrubar a decisão dos outros juizes.

A batalha jurídica não deveria estar acontecendo. Entendemos que a greve é legitima e o Estado precisa de meios rápidos para negociá-la e não tentar intimidar como se fez, emitindo em Diário Oficial a relação de médicos que poderiam ser demitidos. A lista e tão inconseqüente que dois médicos que se encontram em férias foram inclusos, e estão na lista como grevistas.

FÓRUM- Com a greve, os servidores mantém apenas uma parte dos atendimentos médicos. Como está a situação da população?

GALVÃO- Já havia uma sobrecarga antes, que agora está imensa. A coisa está infernal, os atendimentos duplicaram e não há profissionais para dar conta da demanda. Está um Vietnam, uma Bagdá.

Foto: Digulgação

FÓRUM – Recentemente o ministro Temporão afirmou que o caos na saúde não existe o que existe são crises pontuais e não em todo o sistema. Qual sua opinião a respeito da declaração?

GALVÃO– Acho que o ministro está precisando de óculos. Os médicos e hospitais no Brasil estão trabalhando com a tabela do SUS [Sistema Único de Saúde], defasada há mais de dez anos. Ninguém agüenta mais esta situação.

Para se ter uma idéia, no hospital em que trabalho, uma cirurgia cardíaca deixa um déficit de R$ 5 mil. Por mês, o hospital arca com déficit de R$ 100 mil, a fila para se conseguir uma cirurgia cardíaca, em Alagoas, está para dezembro. O que significa que muitos falecerão no meio do caminho por não ter oportunidade de ser operados. É um caos, não aqui em Alagoas, mas no país inteiro há filas enormes de espera e o déficit na saúde é gigante. O repasse para a área deve aumentar o mais rápido possível.


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