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02 de fevereiro de 2012, 09h48

Opinião: 11 de setembro: sete anos depois

A opinião corrente, no mundo árabe, é que o atentado contra as Torres Gêmeas, o Pentágono e um terceiro possível que se fracassou, em 11 de Setembro de 2001, foi cometido por estadunidenses e israelenses. Todos os árabes com os quais conversei durante minhas passagens por lá ou através de contatos à distância, e falo com muitos, têm plena convicção disto. Também de que o atentado contra o falecido ex-presidente do Conselho de Ministros libanês, Rafiq Al-Hariri (1944-2005), foi obra deles. A respeito deste último, discutindo com um interlocutor israelense, concluímos que a CIA seria muito incompetente e confiou ao Mossad a tarefa de eliminar o reconstrutor de Beirute, num atentado perfeito.

Já lá se vão sete anos desde os atentados em New York e Washington e, apesar de não existirem provas concludentes, uma enquete entre árabes que estiverem jogando gamão ou papeando em cafés de qualquer cidade ou vilarejo das arábias, ansiosamente aguardando a hora do desjejum deste Ramadã, resultará na resposta de sempre: “Foram eles, do início ao fim”!

Pensando bem, a suspeita é possível de ser real, pois a camarilha que cercava o recém-eleito presidente da República George W. Bush já havia decidido invadir o Iraque, faltando-lhe apenas uma justificativa, ou arremedo desta, se possível estrondosa, como foi o atentado, exibido para que fosse testemunhado pelo mundo inteiro. Dizer “invadir o Iraque” significa se apoderar de seu petróleo e, para o império estadunidense ávido do combustível fóssil, os fins justificam os meios.

A incompetência da CIA é pública, notória e mais de uma vez comprovada e este é o tipo de serviço que não precisa ser solicitado a Israel, este até mesmo o oferece. Alguém tem dúvidas de que, se a oportunidade se apresentar, será Israel quem atacará as instalações nucleares iranianas?

Nesta mesma linha de pensamento, ninguém também deve duvidar que os atentados contra a Embaixada de Israel (em 1992) e contra o imóvel pertencente à comunidade judaica AMIA (em 1994), ambas em Buenos Aires, não teriam também sido um conluio desta associação gringo-sionista, para criar uma justificativa para o estabelecimento de uma base militar estadunidense na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Esta hipótese é mais crível do que a de ter sido instigada pelo Irã, governo e inteligência, encarregando o Hizbullah de executá-los.

E, no Líbano, o assassinato de Hariri valeu a pena para os associados, pois acusou-se a Síria, forçando-a a retirar suas forças militares do território libanês, abrindo caminho para o ataque israelense do verão de 2006. Só não se contava com o eficiente revide do Hizbullah encabeçando a resistência libanesa.

É tudo carta de um baralho só. Tratando deste mesmo assunto, em artigo recente que publicou no The New York Times, o jornalista Michael Slackman, que também andou pesquisando o assunto no Oriente Médio, faz uma colocação digna de nota quando diz: “É fácil para os americanos tratar com desprezo, mas isto seria não levar em consideração um elemento que as pessoas aqui [no Oriente Médio] pensam que os líderes ocidentais, notadamente em Washington, deveriam compreender: o fato de estas idéias [de o atentado ter sido cometido por Estados Unidos e Israel] terem vida longa representa o primeiro fracasso na luta contra o terrorismo, a incapacidade de convencer as populações árabes que os Estados Unidos empreendem verdadeiramente uma guerra contra o terrorismo e não uma cruzada contra os muçulmanos”.

Os árabes estarem convencidos de que os atentados de 11 de Setembro constituem uma armação contra os muçulmanos não se deve somente à política dos países ocidentais, a favor de Israel e contra eles, mas também pela falta de capacidade de qualquer grupo árabe de executar uma operação de tal envergadura. Podem até ter ficado a cargo da execução, porém a organização e tudo o mais só pode ter vindo de outros e a unanimidade entre os árabes recai sempre sobre a associação Estados Unidos e Israel.

Os Estados Unidos e seus aliados, dois meses após o atentado de 11 de Setembro, atacaram o Afeganistão e desalojaram os Talibãs do poder por não conseguirem convencê-los a entregar Osama Bin-Laden. Eles também, com todo seu poderio e com o estabelecimento de um estado títere, não chegaram nunca perto de Bin-Laden. Muito pelo contrário, o governo que lá colocaram não manda além da porta do palácio presidencial e os Talibãs já estão adiantados em sua reconquista dos territórios perdidos e no estabelecimento de alianças com as tribos afegãs, descontentes com a falta de cumprimento das promessas estadunidenses. Não demorará muito e reconquistarão o poder. Se Bin-Laden não lhes foi entregue pelo Afeganistão, também não o foi por seus aliados paquistaneses, encabeçados pelo lacaio Pervez Musharraf, recém-apeado do poder para não ser preso.

No Iraque, alvo principal da política estadunidense de dominação das terras produtoras de petróleo, é evidente que tudo fracassou e estão sendo abandonados por seus aliados desiludidos e desdenhados por todos as facções que constituem o Iraque. Os problemas do Iraque terminarão quando for posto um fim à ocupação. Não há outra saída.

Junte-se a este fracasso o malogro da tentativa de colocar o Líbano a serviço de Estados Unidos e Israel e teremos mais uma prova de que neste sétimo aniversário dos ataques de 11 de Setembro, independentemente de quem tenha organizado ou executado o ato, não há o que comemorar no lado de lá.

Do lado de cá, no entanto, há muito que comemorar: o povo árabe se conscientizou de quem está a favor e quem está contra ele e, fato mais importante ainda, despertou para a verdade de que a maioria de seus governantes, alinhados direta ou indiretamente a Estados Unidos e Israel, “subiram no telhado” como a avó da historinha que por aí se conta.

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José Farhat, cientista político
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As opiniões manifestadas no artigo são da responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as opiniões da revista Fórum.


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