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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Os símbolos não são suficientes para ganhar a batalha no Irã.

Este coro em direção a Deus emanado dos telhados de Kandahar, todas as noites depois da invasão soviética do Afeganistão em 1979 – eu próprio ouvi-o em Kandahar e ouvi-o na semana passada nos telhados de Teerã – não impediu os ataques dos russos nem vai impedir os Basiji ou a Guarda Revolucionária. Os símbolos não são suficientes.

Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária – um corpo que não é eleito nem representa a atual juventude iraniana – fez as suas ameaças para lidar com o "rebeldes" de "forma revolucionária".

Todos no Irã, até aqueles que são muito jovens para se recordarem do massacre dos oponentes ao regimes em 1988 – quando dezenas de milhares foram enforcados – sabem o que isso significa.

Largar um enxame de forças governamentais armadas nas ruas e afirmar que todos aqueles que são alvejados são "terroristas" é quase uma cópia perfeita da reação pública do exército israelita à intifada palestina. Se os que atiram pedras são mortos a tiro, então a culpa é deles pois estão a infringir a lei e estão a trabalhar para as potências estrangeiras.

Quando isto acontece nos territórios ocupados pelos israelitas, estes alegam que as potências estrangeiras do Irã e da Síria estão por detrás da violência. Quando isto acontece nas cidades iranianas, o regime iraniano alega que são as potências estrangeiras dos Estados Unidos, Israel e Grã-Bretanha que estão por detrás da violência.

E foi de fato uma intifada que rebentou no Irã, não importa quais os objetivos impossíveis. Milhões de iranianos não aceitam a lei porque acreditam que as leis foram corrompidas pela eleição fraudulenta. A perigosa decisão do líder supremo, Ali Khamenei, ao usar todo o peso do seu prestígio para apoiar Mahmoud Ahmadinejad apagou qualquer hipótese de emergir acima da disputa como um árbitro neutral.

Parentes do poderoso aliado de Mir Hussein Moussavi, Ali Akbar Rafsanjani, são presos e depois libertos; Moussavi é ameaçado com a prisão pelo presidente do Parlamento. Contudo, um dos mais populares clérigos e aliado de Moussavi, Mohammad Khatami, continua intocável.

Moussavi pode ter sido primeiro-ministro, mas Khatami foi presidente. Para atingir Khatami, teria de retirar a futura proteção de Ahmadinejad. E o amigo político poderoso deste último, o ayatollah Yazdi, que gostaria de ser o próximo líder supremo, é uma ameaça para Khamenei. E enquanto todos os cadáveres nas ruas das cidades do Irã forem declarados como "terroristas" pelos amigos de Ahmadinejad, os seus inimigos irão declará-los como mártires.

Moussavi, para ganhar, necessita organizar o seu protesto de forma mais coerente em vez de o fazer em "cima do joelho."Mas terá Khamenei uma plano a longo prazo que vá para além da mera sobrevivência?

Tradução de Sofia Gomes, do Esquerda.net. Publicado originalmente no The Independent.


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