sábado, 31 out 2020
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Ótimo e bom de Bolsonaro cai e ruim e péssimo sobe em nova Pesquisa Fórum

Índice dos que o acham ruim/péssimo sobe para 36,5%; aprovam o governo 51,9% e o desaprovam 48,1%

A avaliação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) registrou uma piora no último mês, revela a 6ª edição da Pesquisa Fórum. O levantamento mostra que a parcela da população que considera a administração ruim ou péssima aumentou de 35,3% em agosto para 36,5% em outubro. E os que a avaliam a gestão como ótima e boa caíram de 37,5% para 34,9%.

Os brasileiros que veem o governo Bolsonaro como regular passaram de 24,1% para 26,2%, o maior índice para essa avaliação na série histórica da pesquisa. Os que não quiseram ou não souberam responder são 2,5%.

O levantamento foi realizado entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

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Mulheres são mais críticas

As mulheres são mais críticas em relação ao governo Bolsonaro do que os homens. Entre elas, 42,2% avaliam a administração como ruim/péssima, 28,4% como regular e 27,2%, como ótimo/bom. Já para eles, 30% veem o capitão reformado como ruim/péssimo, 23,8% como regular e 43,5% como ótimo/bom.

Por faixa etária, aqueles que têm entre 16 e 24 anos são os que mais reprovam o governo: 44,2% o avaliam como ruim/péssimo, 32,4% como regular e somente 19% como ótimo/bom. Na outra ponta, dos brasileiros com mais de 60 anos, 49,1% o veem como ótimo/bom e 38% como ruim/péssimo, além dos 12,2% de regular.

Quanto maior o nível de escolaridade do entrevistado, mais ele desaprova o governo Bolsonaro. Entre aqueles que têm até ensino fundamental Bolsonaro é ótimo/bom para 32,9%, regular para 35,8% e ruim/péssimo para 25,9%. A avaliação dos pesquisados que têm ensino médio se divide entre 35,8% de ótimo/bom, 25,1% de regular e 38,3% de ruim/péssimo. Já dos que têm ensino superior, 49,1% responderam que o governo é ruim/péssimo, ante 35,9% para ótimo/bom.

O Nordeste, para onde Bolsonaro tem viajado com frequência para tentar descontruir Lula e o petismo, é a região com maior índice de ruim/péssimo: 44,7%. A seguir, vem o Sudeste, com 40,6%. Por outro lado, o Norte (46,8%) e o Sul (46,2%), são os pontos com maiores taxas de ótimo/bom. No Centro-Oeste, prevaleceu o regular, com 44,4%.

Na faixa de renda mais alta, acima de 10 salários mínimos, Bolsonaro marcou 58,3% de ruim/péssimo e 33,4% de ótimo/bom. Entre os que ganham até 2 salários mínimos, 27,7% têm a avaliação positiva e 36,1%, a negativa. O melhor desempenho do capitão reformado, por rendimento, fica entre aqueles que recebem de 3 a 5 pisos nacionais, com 44% de ótimo/bom.

Aprova ou desaprova

Os entrevistados também são questionados sobre se aprovam ou não o governo Bolsonaro. Nesta edição, 51,9% disseram que o aprovam e 48,1%, que o desaprovam. Em agosto, os índices estavam mais favoráveis ao presidente: 52,9% de aprovação e 47,1% de desaprovação.

Entre as mulheres, 55,6% desaprovam o presidente, famoso por declarações misóginas e machistas. Dos homens, 60,4% responderam que aprovam a gestão do titular do Planalto.

Por idade, a única faixa etária em que a resposta negativa superou a positiva foi a dos mais novos, de 16 a 24 anos, em que 59,9% desaprovam o governo. A melhor avaliação está entre os mais velhos, com 60 anos, dos quais 58,3% aprovam a atual gestão.

Dos entrevistados com ensino superior, 54,4% disseram não aprovar o governo Bolsonaro, que por outro lado encontra aprovação de 50,6% dos que têm ensino médio e de 57,7% entre os com ensino fundamental.

Os mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos (52,6%) e  os mais ricos, acima de dez mínimos (61,1%) são os que aparecem com a maior taxa de desaprovação. As faixas de 2 a 3 salários mínimos (60,6%) e 3 a 5 (57,2%), por outro lado, são as que trazem os maiores índices para a resposta “aprova”.

É na região Nordeste que Bolsonaro encontra a maior proporção de pessoas que o desaprovam (58,6%), seguido pelo Sudeste (50,8%). O Centro-Oeste é, de maneira aposta, a área do país com maior índice de aprovação (70,2%).  

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Pesquisa inova com metodologia

6ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.