“Se eu sofresse uma parada cardíaca, não deveria ser reanimado”, revela ex-paciente da Prevent Senior

Tadeu Frederico de Andrade também revelou que teve o seu prontuário alterado e que a médica mentiu ao colocar no documento que sua família havia concordado com o “tratamento paliativo”

A CPI da Covid ouve nesta quinta-feira (7) os depoimentos do advogado e ex-paciente Tadeu Frederico e do médico Walter Correa de Souza Neto na condição de denunciantes da rede Prevent Senior, que fez os seus pacientes de cobaias para testar o “Kit Covid”.

Durante o seu depoimento, Tadeu Frederico, que foi feito de cobaia sem saber, comentou que, após uma primeira teleconsulta, onde relatou dor no corpo e febre, recebeu em sua casa o “Kit Covid”. À CPI ele disse que estranhou o recebimento dos medicamentos, pois, desconhecia o acesso a tais medicações sem receita médica.

Fortemente emocionado, Frederico afirma que começou a tomar a hidroxicloroquina, pois, confiou no médico, mas, “ao invés de melhorar eu piorei”.

“Eu estava sendo orientado por uma médica, eu comecei a tomar, acontece que eu não melhorei, eu piorei… eu comecei a ser medicado sem saber o que eu tinha”, revela.

Com a piora de quadro, Tadeu contou que foi para a unidade da Brigadeiro (SP) da Prevent Senior, lá fez o PCR, que deu positivo para Covid-19, mas também foi identificado pneumonia bacteriana avançada

Surpreendentemente, após alguns dias internados na UTI, uma das filhas de Tadeu recebe a ligação da médica Daniela de Aguiar Moreira da Silva informando que ele sairia da UTI e seria encaminhado para um modelo híbrido e que “morreria com conforto”.

“Segundo essa médica, eu seria submetido à bomba de morfina e todos os meus equipamentos de sobrevivência na UTI seriam desligados. Se eu sofresse uma parada cardíaca, não deveria ser reanimado”, revelou Tadeu de Andrade.

O ex-paciente da Prevent Senior ainda conta que a médica citada por ele adulterou o seu prontuário ao colocar que a família havia concordado com o “tratamento paliativo”. “Isso é mentira, a minha família não concordou”, disse.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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