Padre Júlio usa marreta para retirar pedras colocadas sob viaduto por Covas para evitar moradores de rua

Aos 72 anos, Julio Lancellotti denunciou a "arquitetura higienista" da administração Bruno Covas, que tenta impedir que pessoas em situação de rua se abriguem sob viaduto. "Marretada nas pedras da injustiça"

Diante do silêncio do prefeito Bruno Covas (PSDB) a seus apelos, o padre Julio Lancellotti empunhou uma marreta e começar a retirar nesta terça-feira (2) as pedras colocadas pela administração municipal embaixo de um viaduto próximo à avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, zona leste da cidade, para evitar que pessoas em situação de rua durmam no local.

“Indignação diante da opressão. Marretada nas pedras da injustiça”, publicou o padre nas redes sociais. Aos 72 anos, Julio Lancellotti denunciou a “arquitetura higienista” da administração tucana nesta segunda-feira (1º).

A obra, concluída na tarde da última quinta-feira (28), tem o objetivo de impedir que moradores de rua durmam no local. As pedras são presas ao chão por uma espessa camada de cimento, na parte debaixo do viaduto.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, um dos trabalhadores da obra lamentou a iniciativa da prefeitura. “A gente faz porque é obrigado, mas até aperta o coração tirar o teto de quem já mora na rua”, disse ao jornal.

De acordo com censo feito pela prefeitura em 2019, a capital tem 24.344 moradores de rua. A região da Subprefeitura da Mooca, onde ficam os viadutos que receberam as pedras, concentrava 835 pessoas em situação de rua, ficando atrás apenas da Subprefeitura Sé (7.593).

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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