terça-feira, 22 set 2020
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Para não esquecer: 10 declarações abjetas e absurdas de Weintraub

O agora ex-ministro da Educação de Jair Bolsonaro, Abraham Weintraub, se destacou por uma postura incompatível com o cargo de ministro de Estado, principalmente aquele responsável por área crucial como é o ensino.

Após um ano e dois meses, ele deixa o comando do MEC apontado como “o pior ministro de Bolsonaro”, alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal e com o risco de ser preso. A Fórum relembra dez momentos de Weintraub:

1 – 26 de abril 2019

“A gente está chegando ao governo e vendo que muitos recursos públicos estavam indo para áreas que têm forte viés ideológico. Muitas escolas ‘sem terrinha’ são sustentadas com dinheiro do povo, do contribuinte, do pagador de imposto. Você aí está pagando mais caro o leite do seu filho, uma parte desse imposto, ICMS, acaba indo para a escolinha dos ‘sem terrinha’. Isso tem que acabar”, disse Weintraub, ao justificar plano de Bolsonaro para acabar com cursos de filosofia e sociologia.

No dia 30 do mesmo mês, o então recém-chegado no comando do MEC acusou as universidades federais de fazerem “balbúrdia” e cortou verbas de instituições que realizaram debates cujos os temas eram incômodos ou críticos ao governo. A perseguição política continuaria durante a gestão, com novas acusações sem provas de ideologização e até de cultivo de drogas contra as universidades.

2 – 7 de maio de 2019

“Que eu saiba só a Gestapo (polícia nazista de Hitler) fazia isto. Ou no livro do Kafta ou na Gestapo”, afirmou, confundindo o nome do escritor austro-húngaro Franz Kafka com a comida árabe kafta. Weintraub falava em comissão do Senado sobre um processo administrativo de que foi alvo quando lecionou na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, um “processo inquisitorial e sigiloso”.

No dia 9 do mesmo mês, protagonizou outra gafe. Em transmissão ao vivo pelas redes sociais com o presidente Jair Bolsonaro, Weintraub comparou a pequenas barras de chocolates o corte de 35% nos recursos destinados à universidades e institutos federais anunciado pelo governo. Na época, além da postura, houve controvérsia sobre a proporção.

3 – 15 de maio de 2019

“Se preciso a polícia tem que entrar em universidades”, disse Weintraub, em meio a onda de protesto contra os cortes de sua gestão na Educação e retomando ataque ao dispositivo constitucional da autonomia universitária.

4 – 30 de maio de 2019

O então ministro da Educação resolveu inovar na sua comunicação e fez papel ridículo. Com um guarda-chuva, tentando reproduzir uma cena de “Singin in The Rain” (cantando na chuva), eternizada no cinema por Gene Kely, Weintraub falou em chuva de fake news para atacar a imprensa.

5 – 27 de junho de 2019 

“No passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?”, disse Weintraub, após o flagrante de cocaína no avião que transportava a comitiva do presidente Jair Bolsonaro. 

6 – 20 de julho de 2019

Weintraub celebrou repressão de policiais contra estudantes, mobilizados pela UNE para protestar contra o lançamento do programa Future-se. “Sem mais comentários (apenas que a música é boa e é do meu tempo…)”, disse, à epoca, o ministro, ao compartilhar um video que mostrava estudantes sendo agredidos com a música Sweet Dreams e a legenda “Vagabundos da UNE tomando sacode na frente do MEC”.

7 – 21 de novembro de 2019

“Foi criada uma falácia que as universidades federais precisam ter autonomia. Justo, autonomia de pesquisa, ensino. Só que essa autonomia acabou se transfigurando em soberania. Então, o que você tem? Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas em algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico, porque orgânico é bom contra a soja, para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles eles querem toda a tecnologia que tem à disposição”, afirmou Weintraub, em novo ataque à credibilidade das instituições de ensino, sem apresentar qualquer prova.

8 – 8 de janeiro de 2020

Weintraub tinha o hábito de atropelar a língua portuguesa em pronunciamentos oficiais, reuniões e no Twitter. Um dos mais famosos foi quando disparou um “imprecionante” (o correto é impressionante, com “ss”), o que logo foi alvo de deboche viral nas redes sociais. Em agosto de 2019, ele já tinha escrito duas vezes “paralização” (o correto é paralisação, com a letra “s”) em ofício enviado ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

9 – 4 de abril de 2020

Weintraub ofendeu os chineses e insinuou que a China obteria benefícios advindos da pandemia de coronavírus. Em postagem no Twitter, ele utilizou uma personagem da Turma da Mônica para fazer a piada xenófoba.

O então ministro postou a capa de uma edição do gibi que se passa na China, e usou a fala típica do personagem Cebolinha, que troca o R pelo L, para ridicularizar a forma com a qual imigrantes asiáticos falam português.

“Geopolíticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo?”, escreveu Weintraub, o que lhe rendeu um processo por racismo, ainda em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 12 de junho, ele voltou a criticar a China nas redes sociais.

10 – 22 de maio de 2020

É divulgado o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, no âmbito do inquérito que apura a interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Weintraub pregou a prisão de ministros do STF, a quem ele se referiu como “vagabundos”. O então ministro disse ainda odiar o termo povos indígenas.

“A gente tá perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo tá gritando. Não tá gritando para ter mais Estado, pra ter mais projetos, pra ter mais… O povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo, tá perdendo mesmo. O povo tá querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF. E é isso que me choca”, disparou Weintraub.

“Odeio o partido comunista [trecho cortado] querendo transformar a gente numa colônia. Odeio o termo povos indígenas, odeio esse termo, odeio. Ou povos ciganos. Só tem um povo nesse país […] é povo brasileiro […] acabar com esse negócio de povos e privilégios”, afirmou.

Em 14 de junho, Weintraub se reuniu com bolsonaristas acampados em Brasília, desafiando regras sanitárias do Distrito Federal, e reforçou os xingamentos aos ministros do STF. Alvo no inquérito das fakew news, as declarações contra a Corte também são alvo de outra análise.

Rodada Bônus

Acostumado a protagonizar vexames nas redes, Weintraub gravou e divulgou um vídeo em que imita estar em um programa humorístico como A praça é nossa. Ao lado o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), ele criticou os estados que não quiseram aderir ao projeto bolsonarista de implantação de escolas militares.

O agora ex-ministro também não lidava bem com críticas no debate público. Por vezes, respondia com ataques e insultos incompatíveis com o cargo, classificava a todos como comunistas e passou a bloquear seguidores, com um slogan que debochava do movimento feminista: “meu Twitter, minhas regras”.

Depois de diversas falhas no no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2019, o então ministro insistia ter feito “o melhor Enem da história”

Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro
Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.