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02 de fevereiro de 2012, 09h48

Para Artur Henrique, o momento é de disputa pelo modelo de desenvolvimento

Nesta quinta-feira, 18, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou o primeiro dia do seminário nacional "Energia, Desenvolvimento e Soberania: Estratégias da CUT", em São Paulo. Os debates seguem até sexta, 19, e pretendem aprofundar o a discussão sobre a matriz energética no Brasil, em especial o petróleo e os biocombustíveis, além de analisar os impactos da adoção dos combustíveis renováveis sobre o meio ambiente e os impactos das novas matrizes energéticas sobre as relações de trabalho.
Para falar sobre a importância desses temas na atual conjuntura do país, Fórum conversou com o presidente da CUT, Artur Henrique. Confira a entrevista abaixo.

Fórum – Qual a importância estratégica para a CUT e para os trabalhadores brasileiros em debater a matriz energética no país?
Artur Henrique –
Desde o ano passado estávamos trabalhando a construção de um seminário nacional que discutisse o modelo de desenvolvimento, energia e a soberania. Este seminário vai nos dar subsídios para lutar por um projeto de desenvolvimento com inclusão social, geração de emprego e renda e distribuição das riquezas. Com o descobrimento do pré-sal, cujas dimensões ainda são desconhecidas, mas são amplas e isso nós sabemos, mais do que nunca as propostas que vêm surgindo como criação de empregos, desenvolvimento sustentável, agricultura familiar, biodisel, entre outras, são uma possibilidade real. Esse é o contexto, onde as disputas pelos modelos de desenvolvimento estarão em pauta.

Fórum — Os leilões de áreas de exploração de petróleo acontecem já há alguns anos. A opção pelo etanol com base no agronegócio de cana, também é uma realidade não tão recente. O senhor acredita que, apesar dos movimentos social e sindical repudiarem e fazerem manifestações contra, faltaram ações pontuais para barrar tais iniciativas?
Artur –
Acho que não. Os movimentos têm feito esse debate desde os anos 90 contra as privatizações e o modelo de agronegócio. Sempre defendemos que tínhamos que atrair os recursos e não vender o que já estava pronto. Infelizmente, perdemos a batalha na década de 90, os meios de comunicação estavam amplamente contra nós e não conseguimos mobilizar a sociedade. Além disso, tínhamos um governo criminoso que entregou, doou, muito do que tínhamos como patrimônio brasileiro. Mas o que mudou daquela década para hoje? Atualmente, há acesso e diálogo, temos uma outra correlação de forças no Brasil e hoje é preciso unidade dos movimentos sociais, fortalecimento da agricultura familiar e acredito que os movimentos estão caminhando para isto.

Fórum – O professor Ildo Sauer, em sua palestra, falou algumas vezes que está na hora de o povo ir para a rua afirmar que o petróleo é nosso. O senhor também acha que é a hora de o povo ir para as ruas?
Artur –
Sim, sem dúvida. Temos que assumir a defesa da riqueza do povo brasileiro que está em jogo. Vale lembrar que se tivéssemos perdido a batalha contra a privatização da Petrobrás, que o governo de Fernando Henrique Cardoso queria privatizar e colocar com o nome de Petrobrax, hoje não estaríamos discutindo sobre o pré-sal. Se o governo Lula não tivesse investido como investiu na Petrobrás, também não estaríamos discutindo isso. O debate é muito diferente do que foi nos anos 90. Precisamos debater o controle social dos recursos e para isso precisamos da unidade da esquerda, da unidade dos movimentos sociais. Uma unidade não com quem ache que o governo FHC é igual ao do Lula, uma unidade não é possível com quem acha que os presidentes Lula, Evo [Morales] e [Hugo] Chavéz são “lacaios do imperialismo”. É saber fazer disputa, compreender essa nova correlação de forças e ir para as ruas.


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