Pastor Milton Ribeiro toma posse como quarto ministro da Educação de Bolsonaro

Novo comandante do MEC já deu demonstrações de fundamentalismo religioso e declarações absurdas sobre o ensino; assista

O pastor Milton Ribeiro tomou posse nesta quinta-feira (16) como novo ministro da Educação. Ele é o quarto a assumir o posto no governo Jair Bolsonaro.

A cerimônia aconteceu no Palácio do Planalto, e o presidente, que está com coronavírus, participou por videoconferência. Os ministros Braga Netto (Casa Civil) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) participaram do ato no Planalto.

No discurso, Ribeiro falou em “resgatar a autoridade” dos professores. O novo ministro tem 62 anos, nasceu em Santos (SP), é teólogo e advogado, com doutorado em Educação. Ele também é pastor da Igreja Presbiteriana.

Mesmo antes de tomar posse, Ribeiro vem sendo criticado desde que foi anunciado para o cargo por Bolsonaro no última sexta-feira (10). Embora nesta quinta tenha acenado ao estado laico e ao diálogo com acadêmicos, ele já deu demonstrações de fundamentalismo religioso e declarações absurdas sobre o ensino incompatíveis com a função de ministro.

O pastor tem uma coletânea de vídeos na internet no canal Meditando na Sã Doutrina. Em um desses vídeos, intitulado “uma sociedade deteriorada”, Ribeiro diz que as universidades ensinam “sexo sem limites”. Também já defendeu em culto que é o homem que tem de apontar os rumos da família. Segundo ele, quando o homem não assume esse papel, a família é atacada por inimigos.

Em outra gravação, o novo ministro disse que criança “deve sentir dor” para aprender. Quando assumiu a Comissão de Ética Pública, ele afirmou que iria “engrandecer o nome de Deus” ao exercer sua função. Em 2016, Ribeiro fez um sermão atacando o Bolsa Família, a presidente Dilma Rousseff e os educadores, além de criticar o casamento gay.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.

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