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15 de setembro de 2019, 17h18

Paulo Coelho conta como foi violentamente torturado

Escritor relembra quando foi preso na Ditadura Militar e pensou: "Não posso morrer tão jovem"

O escritor Paulo Coelho relembrou quando foi preso durante a Ditadura Militar em um texto escrito para o Clarín, publicado no sábado (14).

Em seu texto, ele conta que, no dia 28 de maio de 1974, homens invadiram sua casa e um deles pediu para que o escritor os acompanhasse para “esclarecer algumas coisas”. Foi assim que Paulo Coelho chegou ao DOPS e, após algumas perguntas que ele chamou de “bobas”, foi liberado.

Quando estava indo embora, no entanto, um dos homens sugeriu que eles tomassem um café. Em seguida, o acompanhou dentro de um táxi e pediu para que o deixassem na casa de seus pais. No caminho, dois carros interceptaram o táxi. De um deles, saiu um homem armado que tirou Paulo Coelho do táxi, jogando-o no chão e colocando a arma na cabeça do escritor.

“Não posso morrer tão jovem”, foi o pensamento que correu pela cabeça dele na época. “Sou um desaparecido e minha última visão é a de um hotel.”

Os homens o ameaçavam: “Terrorista merece morrer. Vai morrer devagar, mas vai sofrer muito antes disso”. Levantaram Coelho do chão e colocaram um capuz nele antes de colocá-lo dentro de um dos carros para uma viagem que durou, talvez, cerca de meia-hora.

Quando o carro parou, Paulo Coelho foi espancado enquanto andava pelo que identificou como um corredor, gritando. Ele foi levado até uma sala de tortura, pedindo para que não o empurrassem, mas ele foi golpeado e caiu no chão. Foi ordenado que ele tirasse as roupas e, então, começaram o interrogatório.

“Me pediram para delatar pessoas que eu nunca ouvi falar”, relatou Coelho. “Dizem que não quero cooperar. Eles derramaram água no chão e colocam algo nos meus pés, e eu consigo ver uma máquina de eletrochoque colocada nos meus órgãos genitais.”

Os torturadores espancaram e eletrocutaram Paulo Coelho. “Então, desesperado, eu comecei a arranhar minha pele. Os torturadores devem ter ficado com medo quando me viram coberto de sangue, logo me deixaram em paz.” Eles então tiraram o capuz e ele pôde ver a sala à prova de som e com marcas de tiros na parede. No dia seguinte, foi colocado em outra sessão de tortura na qual eles repetiam as mesmas perguntas.

Após outras sessões de tortura, colocaram o capuz em Paulo Coelho novamente e o levaram para outra sala, na qual ele passou parte do tempo desmaiado. “Fico lá pelo que parece uma eternidade”.

Ele ficou numa prisão solitária até que, em um dia, devolveram suas roupas. Após se vestir, Paulo Coelho foi levado em um porta-malas de um carro até uma praça. Paulo Coelho conseguiu ir até a casa de seus pais.

“Eu saí da prisão, mas ela me acompanha”, conta ele. “Meus pais nunca se recuperaram.”

“E é para esses anos de chumbo que o presidente Jair Bolsonaro – após mencionar no Congresso um dos piores torturadores como seu ídolo – está tentando trazer de volta para o país”, finalizou Paulo Coelho.

O texto completo está disponível no site do Clarín, em espanhol.


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