PC e Frente Ampla do Chile não apoiarão processo constituinte de Piñera

Tanto os comunistas como os membros da coalizão de esquerda abandonaram a mesa de diálogo convocada pelo presidente, afirmando que a assembleia constituinte é o único caminho que a cidadania aceitará para se fazer a nova carta magna.

A reforma constituinte proposta por Sebastián Piñera para tentar apaziguar as tensões no Chile continua fazendo água.

Depois da adesão de mais de uma milhão de pessoas à greve geral de terça-feira (12), o governo sofreu um novo golpe nesta quinta (14), devido a que o Partido Comunista e a Frente Ampla não aceitaram participar da mesa de diálogo convocada pelo governo para discutir sobre o processo de reforma constituinte anunciado pelo presidente.

Segundo os parlamentares da Frente Ampla, o diálogo proposto pelo governo de Piñera visava um acordo político para fazer uma reforma afastada da vontade da maioria que se manifesta nas ruas.

Uma das que explicitou essa postura foi a deputada Gael Yoemans, presidenta do partido Convergência Social (o mais à esquerda dentro da Frente Ampla), em uma mensagem com vídeo difundida em sua conta de Twitter, a parlamentar disse que “depois de 30 anos de exclusão da política, chegou o momento de que o povo decida se quer ou não uma nova Constituição, e como quer fazê-la”.

Quem falou em nome dos comunistas foi a também deputada Karol Cariola, também em uma mensagem com vídeo por Twitter. “Não queremos impor a Assambleia Constituinte como único mecanismo para mudar a Constituição, o que queremos é que o povo decida. Por que eles têm tanto medo da opinião da cidadania?”, questionou a congressista, em referência aos partidos de direita, e também alfinetando os de centro-esquerda que sim estão participando da mesa de diálogo, como o Partido Socialista e a Democracia Cristã.

Outros partidos menores que também se somaram à essa postura foram o Partido Progressista e a Frente Regionalista Verde.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).