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03 de novembro de 2019, 18h27

Pesquisa: 80% da população chilena quer uma nova Constituição, para substituir a de Pinochet

A sondagem realizada pelo instituto Termômetro Social também mostra que 83% das pessoas estão a favor de um plebiscito sobre a criação ou não de uma assembleia constituinte, 72% acham que o presidente Sebastián Piñera está reagindo mal à crise e 31% estão de acordo com a ideia de que os movimentos sociais sejam mediadores do conflito

VALPARAÍSO – Uma pesquisa realizada pelo instituto Termômetro Social, publicada neste domingo (3) mostra que as manifestações realizadas no Chile contam com altíssimo apoio popular: 85% das pessoas concordam com a mobilização e 56% afirmam já ter participado de ao menos um ato.

Contudo, o número mais interessante, visando os possíveis caminhos que a atual situação pode tomar, tem a ver com a questão constitucional. Uma das demandas que o movimento social começou a defender durante os protestos é a da assembleia constituinte, para substituir a atual carta magna chilena, imposta pelo ditador Augusto Pinochet em 1980.

Nesse sentido, segundo a pesquisa, 80% das pessoas se disseram a favor da elaboração de uma nova constituição. Os que disseram estar contra uma mudança constitucional foram apenas 7%. Além disso, 66% disseram considerar esta a questão política mais importante do país neste momento.

A pesquisa não fez uma pergunta sobre assembleia constituinte, mas sim sobre um possível plebiscito (mecanismo que poderia resultar na convocação de uma assembleia), e nessa questão, foram 83% os entrevistados que disseram ser favoráveis a essa ideia. Durante a semana, o prefeito de Valparaíso, Jorge Sharp (Frente Ampla), anunciou que realizará um plebiscito sobre assembleia constituinte na sua cidade, e convidou outros prefeitos do país a fazerem o mesmo.

Sobre as instituições, 72% das pessoas acham que o presidente Sebastián Piñera não está sabendo lidar com a situação. O Congresso Nacional não tem desempenho muito melhor: 70% desaprovam a reação dos deputados e senadores ao atual momento político. No caso das Forças Armadas e da Polícia, a rejeição foi de 57%.

Outro dado interessante é que 31% se disseram a favor da ideia de que os movimentos sociais atuassem como mediador do conflito com o governo. Esse número chama a atenção pelo fato de que nenhuma organização específica esteja liderando os protestos até este momento.

A pesquisa foi realizada nos dois últimos dias de outubro, e entrevistou 1033, em 20 cidades diferentes.

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