sábado, 31 out 2020
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Pesquisa Fórum: para 80%, queimadas no Pantanal e na Amazônia resultam de atos criminosos

Entre os entrevistados, 47% acham que governo Bolsonaro não tem culpa dos incêndios na Amazônia e 36,1% atribuem a responsabilidade dessas ocorrências a ele

Oito em cada dez brasileiros consideram que as queimadas recordes registradas neste ano tanto no Pantanal quanto na Amazônia foram resultado de atos criminosos, revela a 6ª edição da Pesquisa Fórum. Para 8,8% dos entrevistados, os incêndios nos dois biomas decorrem de acidentes. Os restantes 10,9% disseram não saber ou não quiseram responder.

O levantamento foi realizado entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari.

Quando questionados sobre a responsabilidade do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) nos incêndios na Amazônia, 47% entendem que ele não tem culpa sobre essas ocorrências, enquanto 36,1% atribuem, sim, responsabilidade ao capitão reformado por tais queimadas. Outros 16,9% não souberam ou não quiseram responder.

No corte por região onde o entrevistado mora, o maior índice dos que veem crime nos incêndios que destroem parte da Amazônia e do Pantanal está no Sudeste: 84,9%. E, na região Sul, se concentra a maior parcela dos que acreditam em acidente para tais ocorrências, com 13,5% dos entrevistados apostando nessa hipótese.

Vivenciando mais de perto o problema, 70,7% dos moradores do Centro-Oeste e 79,3% dos nortistas entendem que foram, sim, atos criminosos que provocaram as queimadas.

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Responsabilidade do governo

No questionamento sobre a responsabilidade sobre o governo Bolsonaro sobre as queimadas na Amazônia, 51,1% dos homens e 43,4% das mulheres consideram que ele não tem culpa pelo que está acontecendo. Do outro lado, para 36,5% dos entrevistados e 35,7% das pesquisadas, a responsabilidade é da administração do capitão reformado, que tem Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente. Chama a atenção o percentual de mulheres que não souberam ou não quiseram responder: 20,9%, Entre os homens, 12,4% se abstiveram.

A diferença de visão entre as gerações fica evidente no corte por faixa etária. Dos que têm de 16 a 24 anos, 41,1% veem responsabilidade do governo Bolsonaro nos incêndios da Amazônia. Já o maior percentual dos que não consideram que ele tenha culpa nas ocorrências está justamente entre os que têm 60 anos ou mais: 52,8%.

Os dados da Pesquisa Fórum também revelam que, quanto mais anos de estudo tem o entrevistado, mais ele tende a achar que as queimadas na Amazônia são, sim, culpa do atual governo. Compartilham dessa visão 26,5% dos que têm ensino fundamental, 35,7% dos com ensino médio e 52% dos brasileiros com ensino superior.

No mesmo caminho, conforme cresce a renda dos entrevistados, aumenta a fatia dos que responsabilizam o governo: são 33,7% dos que ganham até dois salários mínimos, 41,3% daqueles que recebem de 5 a 10 pisos e 63,9% dos brasileiros com rendimento de 10 a 20 salários mínimos.

Já entre as regiões do Brasil, no Sul está a maior fatia dos que não veem responsabilidade do governo: 53,1%. No Nordeste, há um empate técnico: 41% colocam a culpa na gestão Bolsonaro – a maior fatia pelo corte regional – e 42,1% o isentam. No Sudeste, área mais populosa do país, 48,4% tiram o peso dos ombros de Bolsonaro e 37,6% o culpam pelos incêndios na Amazônia.

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Pesquisa inova com metodologia

6ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.