Pesquisa Fórum: sobe número de brasileiros que associam alta de alimentos a erros do governo Bolsonaro

Maior parte dos entrevistados avaliam que situação econômica do país vai piorar e 55% dão nota até 5 para a economia

Conforme os preços dos alimentos aumentam nas prateleiras, cresce a fatia da população brasileira que considera essa alta fruto de erros do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), mostra a 7ª edição da Pesquisa Fórum. Os números revelam que 53,6% dos entrevistados veem relação da disparada dos preços com a gestão do capitão reformado. No mês passado, eram 48,6% os que tinham essa avaliação.

Entre os entrevistados, 37,8% não relacionam essas altas com atitudes do governo federal – eram 41,9% na edição anterior – e 8,6% não souberam responder ou não quiseram fazê-lo.

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A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 9 de novembro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari. Ele tem margem de erro de 3,2 pontos percentuais.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que os preços de três alimentos básicos dispararam no ano, até outubro. O arroz subiu 59,48%, o feijão fradinho, 58,49%, e o óleo de soja, 77,69%.

Esses aumentos tiveram relação com erros do governo para 58,6% das mulheres e 46,3% dos homens.

Por faixa etária, 63,1% dos entrevistados de 16 a 24 anos e 60,8% dos que têm de 45 a 59 anos atribuem ao titular do Planalto e sua equipe a responsabilidade por esses reajustes. Na outra ponta, 56,3% dos pesquisados com 60 anos ou mais não veem culpa do governo nesses aumentos.

Nas três faixas de escolaridade pesquisadas, os que atribuem responsabilidade ao governo pelos aumentos são maioria: 52,7% dos que estudaram até o ensino fundamental, igual porcentagem dos que têm ensino médio e 55,8% daqueles que têm ensino superior.

Também na divisão por renda, em todas as faixas é maior a porcentagem dos que entendem que foram, sim, atitudes do governo federal que provocaram alta nos preços. A maior taxa para essa resposta está entre os que ganham até 2 salários mínimos: 57,9%.

E em todas as regiões do Brasil são maioria os que botam a responsabilidade dos aumentos nos erros de Bolsonaro. Destaques para Nordeste e Centro-Oeste, em que 57,4% têm essa avaliação, e Sudeste, com 54%.

Perspectiva para a economia

De 1 a 10, que nota você dá para a atual situação da economia brasileira? Como resposta a essa pergunta, 55,1% dos brasileiros deram conceitos até 5 – tinham sido 52,6% na pesquisa anterior. São 39,3% os que falaram notas de 6 a 10 (ante 40,3% em outubro) e 5,9% os que não sabem ou não querem responder.

A perspectiva para a economia do país piorou entre as duas edições da pesquisa. Agora, a maior parte, 38%, entendem que ela vai piorar (eram 37,6%) e 35% avaliam que ela vai melhorar (ante 37,8% de outubro). Para 20,8%, ela vai ficar igual e 6,2% não souberam ou não quiseram responder.

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Os homens são mais otimistas do que as mulheres: 45,1% deles estimam melhoras na economia, enquanto 42,8% delas pensam que vai piorar.

Os mais novos também são os mais pessimistas: 45,4% dos entrevistados com idades entre 16 a 24 anos e 37,9% entre 25 e 34 anos acham que a economia vai piorar.  Os mais velhos, por sua vez, estão mais otimistas: avaliam que a situação econômica vai melhorar 39,9% daqueles que têm entre 45 e 59 anos e 50,7% dos com 60 anos ou mais.

Por escolaridade, esperam melhorias 40,8% dos entrevistados com ensino fundamental e acham que a situação vai piorar 37,4% daqueles que têm ensino médio e 42,8% dos com ensino superior.

A visão no corte por renda fica mais dividida. Quanto menor o rendimento, pior é a perspectiva. Assim, as respostas pessimistas foram a maioria entre aqueles que ganham de até 2 mínimos (40,5%) e para os que recebem de 2 a 3 salários mínimos (37,4%). Do outro lado, uma proporção maior de entrevistados avaliou que a situação vai melhorar nas faixas de rendimento de 3 a 5 salários mínimos (43%), de 5 a 10 mínimos (41,3%) e de mais de 10 pisos nacionais (54%).

Por fim, os moradores do Centro-Oeste (39,3%) e do Norte (44,9%) são os mais confiantes em uma recuperação econômica. Já no Sudeste (41,1%) e no Sul (34,6%), a maior fatia de respostas foi de que o pior ainda está por vir. No Nordeste, a opinião ficou mais dividida: a maioria (38,3%) acha que vai melhorar, mas uma proporção significativa (36,1%) vê tendência de piora na economia.

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Pesquisa inova com metodologia
7ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 4 e 9 de novembro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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Renato Rovai
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