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13 de julho de 2020, 21h07

Pesquisadora exonerada de cargo no Inpe diz que não sabe motivo da demissão

Governo Bolsonaro removeu Lubia Vinhas de coordenação que trata do Programa de Monitoramento da Amazonia após alerta de desmatamento recorde

Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

A pesquisadora Lubia Vinhas afirmou que não sabe o motivo de sua demissão da coordenação-geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta segunda-feira (13).

“Entendo que a minha exoneração da Coordenação está relacionada diretamente ao processo de reestruturação do INPE que vem sendo proposto pela atual direção, e não a uma ação em resposta direta a números relacionados ao monitoramento”, disse, em entrevista à Globonews.

A exoneração de Vinhas foi publicada no “Diário Oficial da União” desta segunda-feira (13) e foi assinada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.

A Observação da Terra trata, entre outras atividades, do Programa de Monitoramento da Amazônia, por meio do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Na semana passada, o Inpe divulgou que junho teve o maior número de alertas de desmatamento para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2015.

De acordo com a pesquisadora, ela não era responsável diretamente pelo Monitoramento da Amazônia, mas o programa era um dos que estavam ligados à coordenação-geral .

“As atividades de monitoramento da Amazônia não são responsabilidade de uma única pessoa, e são executadas dentro de um Programa, o Programa de Monitoramento da Amazonia e demais Biomas, que é ligado na estrutura do INPE a CGOBT, mas que tem um coordenador próprio, o Claudio Almeida”, explicou Vinhas.

O Inpe informou em nota que “desde o início das conversas sobre a reestruturação, já estava prevista a relocação da Dra. Lubia Vinhas do cargo de Coordenadora-Geral da CGOBT para o cargo de Chefe da Divisão de Projeto Estratégico, que tratará implementação da nova Base de Informações Georreferenciadas (“BIG”) do INPE, uma demanda do Ministro Pontes. Esta, por sinal, é a área primária de formação e expertise da Dra. Lubia Vinhas”.

Governo atua contra o combate ao desmatamento

Em agosto do ano passado, o governo Bolsonaro exonerou o então diretor do Inpe, Ricardo Galvão. Ele tinha mandato até o final de 2020, mas passou a ser criticado publicamente pelo próprio presidente Jair Bolsonaro também por apresentar dados de aumento na devastação da Amazônia.

Pesquisadores renomado, Galvão contou à época que o Ministério do Meio Ambiente se negava a receber suas informações sobre o desmatamento. O monitoramento do Inpe é essencial para que o Ibama reforce a fiscalização e desempenhe ações de combate ao desflorestamento, algo que a pasta comandada por Ricardo Salles tem se esforçado para não fazer.

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