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29 de fevereiro de 2020, 00h13

Pesquisadores brasileiros sequenciam em 48h genoma do coronavírus que chegou ao país

Cientistas do Instituto Adolfo Lutz, da USP e da Universidade de Oxford conseguiram decifrar rapidamente o vírus que chegou no Brasil

Foto: National Institutes of Health (NIH)

Pesquisadores brasileiros conseguiram sequenciar o genoma do vírus que chegou ao País apenas 48h após o primeiro caso.

O trabalho foi conduzido por cientistas do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford, que fazem parte de um projeto chamado Cadde, apoiado pela Fapesp e pelo Medical Research Centers, do Reino Unido, centro que desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real.

É fundamental conhecer os genomas completos do vírus, que recebeu o nome de SARS-CoV-2, nos vários locais onde ele aparece, para que se compreenda como funciona sua dispersão e também e encontrar mutações passíveis de alterar a evolução da doença, o que pode ajudar em tratamentos e até vacinas.

Coletada do paciente de 61 anos que chegou a São Paulo depois de passar quase duas semanas na Lombardia, a região mais afetada da Itália, foi confirmado que a amostra veio da Europa e é geneticamente parecida com a de um genoma sequenciado na Alemanha. O vírus que circula na itália já foi isolado, mas ainda não está em nenhum banco de dados para comparação.

“Uma sequência só não revela muita coisa, mas a importância é mostrar que rapidamente somos capazes de fazer e colocar isso à disposição de outros cientistas do mundo. Quanto mais genomas tivermos, mais podemos entender como a epidemia vai evoluindo no mundo. Por isso precisamos ter isso muito rapidamente”, explicou ao Estadão a pesquisadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical.

Os grupos de pesquisa ao redor do mundo estão levando uma média de 15 dias para fazer o sequenciamento. O projeto brasileiro foi lançado com o objetivo de agilizar esse processo e para ajudar a fornecer informações com mais rapidez.

“Temos trabalhado para desenvolver uma tecnologia rápida e barata. Todos os casos que forem confirmados no Adolfo Lutz serão sequenciados. A ideia é fornecer informações que possam ser usada para entender a epidemia em curso, para que outros cientistas possam comparar os dados. Essa cadeia de informação de todo mundo junto é importante para o mundo poder responder à epidemia”, diz.

Segundo ela, ocorrem pequenas mutações, mas a taxa de variação deste vírus é relativamente baixa. 

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