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02 de agosto de 2007, 20h28

Pesquisadores da UnB apontam incertezas sobre a transposição

Seis pesquisadores da Universidade de Brasília apontam a falta de estudos mais amplos como um risco para o investimento de R$ 4,5 bilhões promover desenvolvimento no interior nordestino

Seis pesquisadores da Universidade de Brasília apontam a falta de estudos mais amplos como um risco para o investimento de R$ 4,5 bilhões promover desenvolvimento no interior nordestino

Por Redação

Foto: Jesus Carlos/ImagenLatinaFoto: Jesus Carlos/Imagenlatina
Seis especialistas da Universidade de Brasília (UnB), consultados pela agência de notícias da instituição, apontam incertezas sobre o projeto de Integração de Bacias no Nordeste Setentrional. O investimento de R$ 4,5 bilhões na transposição não necessariamente garante desenvolvimento no interior nordestino, a área mais atingida pela seca.

O projeto teve licença ambiental emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em abril de 2007. A quantidade de água transposta não seria suficiente para a agricultura e uma série de obras acessórias precisariam ocorrer depois, mas não há verbas previstas para elas. O risco de perda de vazão nos próximos 20 anos também é apontado como problema.

“As origens da miséria do sertão nordestino vão além da falta de água, mas à falta qualificação profissional e acesso ao mercado de trabalho”, vaticina o economista Jorge Nogueira. Se o recurso fosse mesmo sinônimo de desenvolvimento, Belém e Manaus seriam capitais muito ricas. “Quando há água, as pessoas não ficam menos pobres. Talvez morram menos em decorrência da seca, mas a situação de miséria continua”.

Para José Elói Campos, do Instituto de Geociências (IG), durante o período de seca, de junho a agosto, as chuvas cessam em toda a extensão do rio, de Minas Gerais a Sergipe e Alagoas. A fonte de água passa a ser o Sistema Aqüífero Urucuia, no oeste da Bahia, por meio de drenagem natural. “O aqüífero é o pulmão do rio, mas em nenhum momento no Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima) do Projeto São Francisco ele é citado. Qualquer impacto observado nas águas subterrâneas pode ameaçar todo o rio”, alerta Campos.

A região da divisa baiana com Goiás e Tocantins tem o solo amplamente perfurado por poços artesianos. Se a escavação continuar no ritmo atual, a água subterrâneas poderiam deixar de correr para a bacia do São Francisco. Em duas décadas, período de maturação da integração de bacias com a construção de redes de capilarização das obras, a vazão do rio poderia estar muito reduzida.

Para complicar, o montante autorizado para a transposição, de 26,4 m³ por segundo – considerado como mínimo no projeto original, não seria suficiente para a irrigação agrícola. “Na época de seca, só a população das grandes cidades está garantida de receber água”, observa Nabil Joseph Eid, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental. A perda por evaporação ou infiltração é estimada pelo engenheiro em 7m³ por segundo, ou 26,5%.

O atrelamento da vazão bombeada ao nível da represa de Sobradinho, a 40 quilômetros de Juazeiro (BA), em 94% é outro complicador. Quando isso ocorrer, o Ibama autoriza a elevação a 127 m³ por segundo de retirada de água. “Mas com o consumo crescente de energia, fica cada vez mais difícil Sobradinho chegar a esse nível. E, se chegar, é muito provável que todo o Nordeste esteja em período de chuva”, avalia. Se isso ocorrer, nesses períodos, a necessidade de transferência seria menor.

O geocientista Geraldo Boaventura aponta a falta de informações técnicas suficientes sobre o solo da região, o que poderia salinizar a água, deixando-a imprópria para o consumo humano e para a agricultura.

Revitalização Jeanine Felfili, do Departamento de Engenharia Florestal, acredita que as ações de recuperação da vegetação ciliar e desassoreamento da calha deveriam ter se iniciado em 1965, quando o Código Florestal foi editado. Ela critica ainda a falta de alocação precisa dos recursos para a revitalização e a confusão com o próprio projeto de transposição.

As barranges construídas durante o século XX, a degradação das matas nativas e a agricultura intensiva agravam o problema. “É preciso dar assessoria técnica aos produtores que atuam na bacia do São Francisco para evitar o assoreamento do rio”.

(Com informações da Agência UnB)


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