segunda-feira, 26 out 2020
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Petrobras impede trabalhadores de se alimentarem por até 17 horas, denuncia Sindipetro

Empresa manteve petroleiros isolados no heliporto do Farol após o cancelamento de voos e sindicato aponta falta de gestão e despreparo

Os petroleiros que embarcariam nesta terça-feira (22) no heliporto do Farol, no Rio de Janeiro, foram prejudicados pela falta de gestão da Petrobras. A denuncia é do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF).

Além de serem submetidos a um saguão lotado, trabalhadores que saíram de madrugada da cidade de Macaé para embarcar ficaram até 17 horas sem se alimentar, apenas com o lanche fornecido pela empresa no ônibus, depois que os voos foram cancelados por falta de condições meteorológicas.

Segundo o sindicato, a Petrobras não forneceu alimentação e proibiu que os trabalhadores saíssem para comprar qualquer alimento.

“É normal que os voos sejam cancelados pelo mau tempo. O problema é a falta de preparo da Petrobras”, explica Tezeu Bezerra, coordenador do Sindipetro-NF. “As pessoas foram proibidas de comer em uma lanchonete que tem no local e a empresa de segurança ainda proibiu os trabalhadores de comprar comida. Alguns trabalhadores ficaram de 3h da manhã até as 20h sem se alimentar. Absurdo”, explica.

Bezerra conta ainda que haverá uma reunião com a Petrobras e que poderá encaminhar denúncia no Ministério Público do Trabalho. “É uma falta de preparo, um amadorismo da Petrobras, nesta questão do covid”, destacou.

Em função da pandemia de coronavírus, a Petrobras submeteu os trabalhadores a um protocolo onde eles têm que passar três dias em hotéis, sem contato nenhum externo, que acabou gerenciado de forma inadequada depois do cancelamento dos voos. Bezerra reforça que os trabalhadores podem fazer denuncias pelo email denuncia@sindipetronf.org.br .

Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro
Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.