Petroleiros do Norte Fluminense apresentam à Alerj saídas para reindustrializar o Rio de Janeiro

Os trabalhadores organizados do Brasil têm soluções para a depressão econômica com acelerada desindustrialização, que sejam ouvidos.

Na Alemanha, um dos países mais industrializados do mundo, a maior Central Sindical Alemã Confederação dos Sindicatos Alemã- DGB, que representa milhões de trabalhadores da indústria e abrange 16 ramos produtivos, tem forte peso nas decisões da economia.

Em 1951, no ramo da mineração e siderurgia, os trabalhadores conquistaram a Betriebsrat (cogestão), com representação equitativa nas empresas. Nos conselhos de administração deste ramo, metade é constituído por representantes dos acionistas e metade pelos trabalhadores e sindicatos. Em estabelecimentos menores de mil trabalhadores de outros setores industriais e de serviço, embora não seja paritária, existe participação dos trabalhadores nas decisões.

Há 3 décadas, a jornada de trabalho na Alemanha é de 35 horas e, em 2019, o ramo siderúrgico-eletrônico conquistou jornada de 28 horas por dois anos com garantia de emprego e sem restrições do empregador.

Esse alto grau de participação dos trabalhadores reflete em toda a Alemanha nas decisões econômicas, nas políticas de geração de emprego e renda, na defesa do meio ambiente e na repartição dos recursos. Historicamente, a DGB defende a “democracia econômica”, porque entendem que não é possível haver cidadania plena com desigualdade social.

Foi com a participação dos trabalhadores organizados nas decisões que a Alemanha se tornou um dos países mais desenvolvidos do mundo, com crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico. Há uma década, em 2011, nascia na Alemanha o conceito de Indústria 4.0, a 4a Revolução industrial.

No Brasil, ao contrário, os sindicatos são criminalizados pela mídia, patrões e governos e com isso perdermos uma grande chance de ouvir os trabalhadores para se buscar saídas para a depressão econômica que as políticas neoliberais mergulharam o país.

Petroleiros apresentam saídas para a geração de emprego e renda ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro é um dos estados brasileiros mais dependentes da cadeia do petróleo, que há 7 anos vem recebendo ataques brutais, das políticas neoliberais, com seu braço judiciário, a lava-jato. Cidades como Macaé, conhecida como a “Capital Nacional do Petróleo” sofreram impactos absurdos com o ataque neoliberal a maior indústria do país, a Petrobras. Só no primeiro ano da Lava-jato a cidade perdeu 40 mil postos de trabalho. Macaé era o segundo maior parque hoteleiro do Estado do Rio, tinha cerca de 10 mil leitos, pós lava-jato, a cidade fechou 5 hotéis.

A desindustrialização acelerada do Brasil, após o golpe, ganhou força com a política de Guedes no governo Bolsonaro e a reação da crise é em cadeia, não afeta apenas os petroleiros, mas toda a sociedade e inúmeros setores da economia. A indústria naval, por exemplo, que ganhou grande impulso com a criação de estaleiros durante o governo Lula e a lei de conteúdo local do governo Dilma, foi destruída no estado, após o golpe de 2016.

Para se contrapor a isso, e articular uma frente ampla em defesa da Petrobras, na última quinta-feira (28/01), os petroleiros do Sindicato dos Petroleiros Norte-Fluminense apresentaram propostas de geração de emprego e renda ao presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano. Participaram da reunião a assessoria fiscal da Alerj, o Coordenador-geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, Carlos Takashi (Dieese), Rodrigo Leão (Ineep), Dr. Ricardo Garcia (Médico do Trabalho) e Fábio Lima, (assessor da Veredas).

O coordenador Geral do Sindipetro-NF apresentou documentos com dados que comprovam a redução de empregos na Bacia de Campos e os impactos da crise para a região do Norte-Fluminense e para todo o Estado do Rio de Janeiro: “Demos o primeiro passo pra estreitar a relação entre o sindicato e a ALERJ e o presidente se mostrou disposto a contribuir, realizar audiências públicas para buscarmos melhorias para esse cenário, inclusive, com a participação dos prefeitos, senadores e deputados federais do estado“, disse Tezeu.

O representante do Ineep, Rodrigo Leão, apresentou dados importantes sobre o risco da saída da Petrobras da Bacia de Campos e o desmonte de toda a cadeia de petróleo e gás. A troca da Petrobrás pelo setor privado na exploração de Petróleo na Bacia de Campos e a redução dos investimentos gerarão grandes impactos para a economia do Rio de Janeiro e, em especial, para a região do Norte Fluminense.

Exaustivas jornadas e Covid-19

Apenas na última semana 5 petroleiros do Norte Fluminense morreram vítimas da Covid-19. A exaustiva jornada (12 horas por dia), imposta pela administração da Petrobras com o desmonte em curso, vem prejudicando gravemente a vida dos petroleiros.

O desmonte do benefício de assistência à saúde, a Assistência Multidisciplinar de Saúde – AMS-Petrobras e os impactos da pandemia de Covid-19 na Petrobrás também foram temas de debate no encontro.

A pressão dos sindicatos dos petroleiros junto ao Ministério Público do Trabalho, Anvisa e outros órgãos, obrigou a Petrobras a adotar protocolos de prevenção, testagem etc. Entre as reivindicações do Sindicato está a de que a Petrobras tenha transparência nos dados sobre o número de trabalhadores infectados, óbitos. De acordo com Bezerra, 20 petroleiros do Norte-Fluminense já faleceram de Covid-19.

Assim como os trabalhadores alemães participam das decisões e contribuem para o crescimento e desenvolvimento econômico daquele país, os trabalhadores organizados do Brasil têm soluções para a depressão econômica com acelerada desindustrialização, que sejam ouvidos.

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