sábado, 24 out 2020
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PGR arquiva pedido de inquérito sobre Boulos, Felipe Neto, Sâmia e Glauber Braga

Deputado bolsonarista viu crime contra a segurança nacional em comentários de apoio a manifestações antifascistas; PF tem outra investigação, que segue aberta

A Procuradoria Geral da República (PGR) arquivou pedido de inquérito sobre postagens em apoio a ato antifascista ocorrido em maio, em São Paulo. As publicações foram feitas pelos deputados federais Glauber Braga e Sâmia Bomfim, e pelo candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos, todos do PSOL, e pelo youtuber Felipe Neto. O pedido foi encaminhado pelo deputado federal bolsonarista José Medeiros (Podemos-MT). A informação é do jornalista Rubens Valente, do UOL.

O parlamentar queria que a PGR acionasse a PF para abrir um inquérito por suposto “cometimento de crimes contra a segurança nacional”. Ainda alegou que “tais posturas não podem ser consideradas democráticas, uma vez que visam apenas o caos social para tentarem tomar um poder que foi dado ao presidente da República pela maioria do povo brasileiro”.

Mas, diante das publicações, a procuradoria entendeu que o caso era “inconsistente”. Na manifestação pelo arquivamento, em 24 de agosto, a PGR escreveu que “os fatos narrados na manifestação [do deputado] não justificam a atuação do Ministério Público”, que a manifestação do deputado “não permite ou aponta meios idôneos de verificação de sua procedência” e que “não traz elementos concretos acerca do fato e da autoria”.

Além da PGR, Medeiros pediu a outros órgãos públicos que abrissem investigações com teor semelhante. Um deles trazia postagens de Boulos e do jornalista Ricardo Noblat. Nesse caso, a PF abriu inquérito após pedido do ministro da Justiça, André Mendonça. E esse inquérito segue em andamento.

O teor das postagens

As publicações que Medeiros considerou “antidemocráticas” e que visavam levar ao “caos social” eram relativas à manifestação antifascista realizada na avenida Paulista em 31 de maio.

No caso de Felipe Neto, eis o que ele escreveu: “Não se dialoga com fascista. Lugar de fascista é na cadeia. Se a polícia se recusa a prender e quem está no poder defende o fascismo, é necessário fazer o que for preciso”. Neto também publicou dois cartazes com dicas de segurança para os manifestantes e orientações de primeiros socorros em caso de confronto com a polícia.

No caso de Boulos, o comentário que Medeiros considerou antidemocrático foi: “Torcedores antifascistas dos Gaviões da Fiel fazem ato na avenida Paulista contra a manifestação bolsonarista. Orgulho dessa torcida!”.

Sâmia fez uma publicação mais extensa, que na visão de Medeiros provocaria caos social. Ela escreveu: “Ei, fascista, vem aqui tomar um copo de leite” e “vim apoiar o ato antifascista das torcidas organizadas. Com máscara e distância, seguindo as recomendações sanitárias. #SomosDemocracia”.

Por fim, foi com essas palavras que, segundo o deputado bolsonarista, Braga deveria ser investigado por suposto crime contra a segurança nacional: “Hoje viemos às ruas para o ato das torcidas organizadas antifascismo em SP, buscando manter a segurança sanitária necessária. Se a casca do ovo da serpente do fascismo está se rompendo no país, a necessidade de apoiar a resistência organizada se impõe. Mais infos no Facebook”.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.