PGR arquiva pedido de inquérito sobre Boulos, Felipe Neto, Sâmia e Glauber Braga

Deputado bolsonarista viu crime contra a segurança nacional em comentários de apoio a manifestações antifascistas; PF tem outra investigação, que segue aberta

Felipe Neto e Guilherme Boulos (Montagem com fotos de Reprodução/Twitter e Marcello Casal jJr/Agência Brasil)

A Procuradoria Geral da República (PGR) arquivou pedido de inquérito sobre postagens em apoio a ato antifascista ocorrido em maio, em São Paulo. As publicações foram feitas pelos deputados federais Glauber Braga e Sâmia Bomfim, e pelo candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos, todos do PSOL, e pelo youtuber Felipe Neto. O pedido foi encaminhado pelo deputado federal bolsonarista José Medeiros (Podemos-MT). A informação é do jornalista Rubens Valente, do UOL.

O parlamentar queria que a PGR acionasse a PF para abrir um inquérito por suposto “cometimento de crimes contra a segurança nacional”. Ainda alegou que “tais posturas não podem ser consideradas democráticas, uma vez que visam apenas o caos social para tentarem tomar um poder que foi dado ao presidente da República pela maioria do povo brasileiro”.

Mas, diante das publicações, a procuradoria entendeu que o caso era “inconsistente”. Na manifestação pelo arquivamento, em 24 de agosto, a PGR escreveu que “os fatos narrados na manifestação [do deputado] não justificam a atuação do Ministério Público”, que a manifestação do deputado “não permite ou aponta meios idôneos de verificação de sua procedência” e que “não traz elementos concretos acerca do fato e da autoria”.

Além da PGR, Medeiros pediu a outros órgãos públicos que abrissem investigações com teor semelhante. Um deles trazia postagens de Boulos e do jornalista Ricardo Noblat. Nesse caso, a PF abriu inquérito após pedido do ministro da Justiça, André Mendonça. E esse inquérito segue em andamento.

O teor das postagens

As publicações que Medeiros considerou “antidemocráticas” e que visavam levar ao “caos social” eram relativas à manifestação antifascista realizada na avenida Paulista em 31 de maio.

No caso de Felipe Neto, eis o que ele escreveu: “Não se dialoga com fascista. Lugar de fascista é na cadeia. Se a polícia se recusa a prender e quem está no poder defende o fascismo, é necessário fazer o que for preciso”. Neto também publicou dois cartazes com dicas de segurança para os manifestantes e orientações de primeiros socorros em caso de confronto com a polícia.

No caso de Boulos, o comentário que Medeiros considerou antidemocrático foi: “Torcedores antifascistas dos Gaviões da Fiel fazem ato na avenida Paulista contra a manifestação bolsonarista. Orgulho dessa torcida!”.

Sâmia fez uma publicação mais extensa, que na visão de Medeiros provocaria caos social. Ela escreveu: “Ei, fascista, vem aqui tomar um copo de leite” e “vim apoiar o ato antifascista das torcidas organizadas. Com máscara e distância, seguindo as recomendações sanitárias. #SomosDemocracia”.

Por fim, foi com essas palavras que, segundo o deputado bolsonarista, Braga deveria ser investigado por suposto crime contra a segurança nacional: “Hoje viemos às ruas para o ato das torcidas organizadas antifascismo em SP, buscando manter a segurança sanitária necessária. Se a casca do ovo da serpente do fascismo está se rompendo no país, a necessidade de apoiar a resistência organizada se impõe. Mais infos no Facebook”.

Este post foi modificado pela última vez em 30 set 2020 - 18:26 18:26

Fabíola Salani: Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.