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27 de maio de 2020, 00h01

Polícia política?: Ministério da Justiça de Bolsonaro troca centenas de cargos na PF

São 99 portarias, em 16 páginas do Diário Oficial da União, que mudam seis superintendentes regionais e centenas de outros cargos da administração, coordenação e diretorias, na sede e nos estados

Jair Bolsonaro e André Mendonça, Ministro da Justiça (Foto: Agência Brasil)

O Ministério da Justiça determinou na última segunda-feira (25) centenas de alterações na estrutura da Polícia Federal. As trocas acontecem logo depois do presidente Jair Bolsonaro mudar o ministro e o delegado-geral da PF, sob a acusação de interferir na corporação para benefícios pessoais.

Foram trocados seis superintendentes regionais e centenas de outros cargos da administração, coordenação e diretorias da PF, em sua sede e por estados de todo o Brasil. No total, são 99 portarias, contendo desde uma a até 50 nomeações, o que dificulta contabilizar e mapear a reestruturação.

Na página do Diário Oficial da União, as portarias não estão disponibilizadas facilmente. Apenas sete delas são apresentadas em uma lista, quando são selecionados os atos do Ministério da Justiça, no caderno extra do dia 25 de maio, quando foram publicadas as mudanças. No entanto, ao acessar a íntegra do caderno na versão certificada, são 16 páginas de alterações de quadro pessoal dentro da Polícia Federal e por atos do Ministério da Justiça.

Os novos nomes foram assinados pelo secretário-executivo do ministério, Tercio Issami Tokano, pela diretora de Gestão de Pessoal da PF, Cecilia Silva Franco, e pelo próprio diretor da PF nomeado por Bolsonaro, Rolando Alexandre de Souza.

Rolando assumiu o cargo depois que o presidente demitiu Maurício Valeixo. Foi a partir da exoneração de Valeixo que o então ministro da Justiça Sérgio Moro pediu demissão e fez as acusações que levaram a abertura do inquérito contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

Segundo as acusações de Moro e provas no inquérito, como o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril e mensagens por aplicativo de celular trocadas entre os envolvidos, o presidente queria um delegado-geral mais próximo dele, informações de inteligência e troca do comando da PF no Rio, onde tramitam investigações contra a família Bolsonaro. A troca no Rio foi um dos primeiros atos de Rolando.

Nesta terça-feira (26), após operação da PF contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, adversário de Bolsonaro, outros governadores expressaram a preocupação de que o presidente estariam transformando a corporação em sua polícia política.

Com informações do jornal GGN


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