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08 de fevereiro de 2012, 19h05

Polícia civil entra em greve no Pará

A Polícia Civil do Pará está em greve desde o dia 26 e participou ontem da marcha de abertura do Fórum Social Mundial (FSM) na capital do estado. Os policiais exigem o pagamento do que lhes é devido em direitos trabalhistas segundo determinação da justiça, e também lutam pela isonomia salarial dentro da corporação, além de protestarem contra a falta de diálogo entre os poderes Executivo e Judiciário.

“Nós temos um governo do estado desonrado, que não cumpre lei, e um Judiciário que não faz cumprir a lei”, acusa o delegado aposentado da polícia civil Moraes, que protestava com policiais enquanto a marcha da Fórum passava ao lado. “Nossa governadora que diz que aqui é a terra dos direitos, não garante (eles)”, afirma.

Para o delegado, o fato de o Judiciário estar subordinado financeiramente ao Executivo o faz executar “timidamente” suas ações. Moraes ainda afirma que isso faz os governos não respeitarem as decisões dos tribunais.

A greve da polícia civil do estado coincidiu com o início das jornadas e debates da 9ª edição do FSM, que teve início ontem com uma marcha que congregou participantes dos mais diversos grupos e ideologias. Embora a coincidência não tenha passado de um mero acaso, o delegado Moraes afirma que participa das idéias trazidas pelo Fórum. A greve também veio a calhar com o Fórum Mundial de Juízes, que também ocorreu em Belém do Pará e teve entre suas pautas de discussão a questão da independência do Poder Judiciário.

Greve “ilegal”
O Tribunal de Justiça Estadual (TJE) de Pará decidiu ontem que a greve dos policiais civis é “ilegal”, pois sua atividade é considerada essencial para a população e não poderia ser interrompida. Assim como a plena atividade dos poderes Executivo e Judiciário também são. A Polícia Civil foi condenada a pagar R$ 100 mil para o estado e cada grevista ainda será descontado na folha de pagamento pelos dias não trabalhados. Ainda é possível entrar com recurso no Superior Tribunal Federal (STF) para anular a decisão do TJE.


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