Portal Transparência, do governo federal, sai do ar após denúncias sobre gastos de R$ 15 milhões em leite condensado

Lançado em 2004, no governo Lula, portal saiu misteriosamente do ar quando internautas começaram a levantar informações sobre fornecedores de compras com valores exorbitantes do governo. Empresa de esposa e filho de pastor do Rio teriam contratos de R$ 37 milhões com o governo, sendo R$ 12 milhões com as Forças Armadas

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De forma misteriosa e sem nenhuma explicação, o Portal Transparência, que informa sobre compras e licitações feitas pelo governo federal, saiu do ar na madrugada desta quarta-feira (27) e permanecia com mensagem de erro às 5h07, quando foi acessado pela reportagem da Fórum.

A retirada do portal do ar se deu após a divulgação de gastos no valor de R$ 1,8 bilhão em compras de supermercado pelo governo Jair Bolsonaro em 2020 – sendo R$ 15 milhões somente em leite condensado.

Portal Transparência fora do ar às 5h07 desta quarta-feira (27)

O governo ainda não explicou os motivos dos valores exorbitantes da lista, que inclui ainda gastos de R$ 1 milhão com alfafa – usada comumente para alimentar gado -, R$ 2,2 milhões com chicletes e R$ 8,8 milhões em bombons.

Fornecedores
O portal da Transparência, que foi lançado em 2004, no governo Lula, para dar visibilidade às compras feitas com recursos públicos pelo governo e órgãos federais de administração, saiu do ar quando muitos internautas iniciaram consultas e levantaram questionamentos sobre empresas contratadas para fornecimento dos produtos para o governo Bolsonaro.

Em uma sequência de tuites com dados do portal, o perfil @Boscardin levantou dúvidas sobre a empresa “Saúde & Vida Comercial de Alimentos Eireli” do ramo alimentício que faturou R$ 37 milhões em contratos com o governo federal – sendo R$ 12 milhões para fornecimento ao Comando das Forças Armadas.

Segundo as informações divulgadas na sequência, a empresa pertence a Azenate Barreto Abreu, que é casada com o pastor Elvio Rosemberg da Silva Abreu e mãe de Elvio Rosemberg da Silva Abreu Júnior, que também fechou contrato no valor de R$ 25 milhões com o governo. Eles seriam de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, mas a sede da empresa seria em Brasília.

“A julgar pelas fotos do Facebook do senhor Elvio e dona Azenate, ambos levam uma vida modestíssima para quem faturou com as empresas da família R$ 37 milhões de reais. Parecem pessoas simples. O filho não disponibiliza as fotos no Face. Resta averiguar se eles efetivamente tem envolvimento com as empresas ou se utilizaram seus nomes. Tudo pode estar em ordem. Porém é curioso que empresas individuais de pessoas aparentemente sem ligação com o ramo da alimentação sejam fornecedores de contratos de milhões para o governo no ramo da…alimentação”, afirmou @Boscardin, que se identifica como jurista, “bloqueado pelo presidente brasileiro”.

Bombons
Outro levantamento com base no portal da Transparência foi feito pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que mostra uma casa residencial como endereço da Estela Panificadora e Confeitaria Eireli, empresa que “vendeu em larga escala milhões de bombons pro Governo, a princípio com R$ 89 a unidade. Ou uma caixinha”.

“Entre as especificações da empresa está o comércio de doces para revendedores de rua, como ambulantes”, informa a parlamentar na sequência de tuítes.

Às 5h39, quando esta reportagem foi publicada, o site do Portal Transparência continuava fora do ar. Às 8h24, o portal voltou ao ar e foi acessado pela reportagem da Fórum.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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