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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Prefeitura de São Gabriel derruba símbolo de resistência indígena

Imagem: Darlan Corral/ Flickr

O prefeito do municipio de São Gabriel, no Rio Grande do Sul (RS), Rossano Gonçalves (PDT), autorizou a derrubada do monumento “São Sepé Tiarajú”, que foi posto abaixo na última-quinta-feira, 7. O monumento foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer 
e erguido na ocasião do 250º aniversário da morte de Sepé Tiarajú, líder Guarani assassinado em 7 de fevereiro de 1756 por soldados espanhóis e portugueses, que brigavam entre si pela posse dos Sete Povos das Missões.

A morte do líder indígena é lembrada com diversas comemorações nos pampas gaúchos. Sepé é considerado na região sul, um dos únicos verdadeiros heróis, pois morreu defendendo o povo guarani da colonização. Ele foi Corregedor da Missão de São Miguel durante a Guerra Guaranítica, iniciada após a assinatura do Tratado de Madri, em 1756, quando Espanha e Portugal reordenaram a distribuição de territórios americanos, incluindo os Sete Povos das Missões, antes sob domínio espanhol e que passou aos portugueses. O tratado previa que os indígenas ali estabelecidos migrassem para a outra margem do rio Uruguai. Sepé liderou a resistência ao lado da corregedoria da Missão de Santa Maria, que foi desmantelada pelos exércitos portugueses e espanhóis. Diz a lenda que Sepé foi morto com uma flechada de um soldado portugues e, em seguida, atingido por uma bala de revólver de um soldado espanhol.

Em 1979, a Unesco tombou as ruínas da Missão de São Miguel Arcanjo como patrimônio da humanidade. Sepé virou um símbolo de resistência popular ao imperialismo e de defesa da liberdade de um povo. A construção do monumento em 2006 recuperou o simbolismo do líder guarani e chegou a ser abençoado por diversos pajés Karaí e Kunhã Karaí de comunidades Guarani do Brasil, Argentina e Paraguai.

Os membros do Conselho Missionária Indígena (CIMI) do sul manifestaram repúdio à decisão da prefeitura que, segundo eles, foi influenciada pelos “donos do latifúndio, os fazendeiros arrogantes que habitam e exploram as terras sagradas do Rio Grande”. Em nota, Roberto Liebgott, coordenador do CIMI da região Sul, afirma que “eles (latifundiários) tinham medo do símbolo de resistência e vida que ali fora plantado e como que encravado na memória daqueles que se colocam contra a vida e contra a solidariedade, que se colocam contra a possibilidade de que haja direitos iguais para todos, que se colocam contra a redistribuição de bens e das terras”.


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