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23 de novembro de 2016, 16h47

Presidente da Colômbia e FARC anunciam que novo acordo de paz será assinado na quinta

Ao contrário do que pedia oposição liderada pelo ex-presidente Alvaro Uribe, Santos afirmou que Congresso ficará responsável por referendar novo texto.

Por Opera Mundi

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e líderes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) afirmaram na noite desta terça-feira (22/11) que um novo acordo de paz será assinado na próxima quinta-feira (24/11), em Bogotá. Segundo Santos, o Congresso do país vai analisar e será responsável por referendar o texto. Os opositores do acordo pediam para que o pacto fosse submetido a nova votação popular.

“Depois de ouvir todas as propostas e alternativas, e de comum acordo com as FARC, é claro que a via mais desejável e legítima para referendar este novo acordo é através do Congresso”, disse Santos, em um discurso na Casa de Nariño, sede do governo.

No Congresso, onde tem maioria, “estão representadas todas as visões e opções políticas do país, desde a extrema esquerda até a extrema direita”, disse. “A grande maioria dos setores da sociedade civil, os jovens, a igreja e setores políticos mostraram preocupação com um novo referendo. Uma nova campanha polarizaria de maneira perigosa o país e este é o momento da união e não da divisão”, afirmou.

O primeiro acordo com as FARC, assinado no dia 26 de setembro, em Cartagena, foi rejeitado pelos colombianos no referendo realizado uma semana depois que, além de frear o processo de paz, causou uma profunda divisão no país entre os partidários do “sim” e os defensores do “não”, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

Congresso

“Meu dever como presidente é promover a união, não a polarização”, disse Santos ao justificar a opção pelo Congresso em lugar de um segundo referendo.

Para o presidente, o Legislativo “representa o povo para que, em nome dos cidadãos, legisle e aprove todas as normas que nos regem, as reformas constitucionais, os tratados internacionais e as leis”. Ele lembrou que o poder legislativo tem “não apenas a legitimidade do voto popular”, mas representa “todas as visões e opções políticas do país”.

Por outro lado, ele lamentou que setores que defenderam o “não” no referendo mantenham sua oposição ao novo acordo de paz, mas deixou a porta aberta para chegar a um novo consenso. “Infelizmente, alguns dos setores mais radicais do ‘não’ seguem se opondo ao novo acordo, apesar de suas claras e importantes mudanças e ajustes”, disse.

Mudanças no acordo

O presidente colombiano defendeu as modificações que foram feitas no acordo de paz após o referendo. Segundo ele, foram alterações “profundas e que atenderam a grande maioria das solicitações e propostas”.

Ele também reconheceu sua preocupação pelo processo de paz e pelo risco que se retroceda se não for implementado rapidamente o acordo com as FARC, “dada a fragilidade do cessar-fogo” em vigor desde o dia 29 de agosto.

O presidente lembrou o incidente recente onde morreram dois guerrilheiros no norte do país e os assassinatos de líderes camponeses e defensores de direitos humanos registrados nos últimos dias.

“Vidas foram perdidas e há muitas outras em perigo. Não poderia me perdoar por não ter atuado com prontidão e firmeza para corrigir esta situação”, disse.

Santos insistiu que, após oito processos de paz que não foram concluídos da melhor forma, o país tem agora “a oportunidade única de fechar este capítulo tão doloroso de nossa história, que enlutou e deixou aflitos milhões de colombianos por mais de meio século”.


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