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07 de junho de 2018, 14h35

Presidente da federação de empregados da Caixa vê como criminosa privatização defendida por Meirelles

Em entrevista para a Fórum, ele diz não ter dúvidas da intenção do ex-ministro da Fazenda "a continuidade do golpe" e a entrega do banco ao mercado , ao rentismo

Foto: Fenae

A privatização da Caixa Econômica Federal defendida pelo pré-candidato do PMDB à presidência da República, Henrique Meirelles, indignou o presidente da Federação das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira. Ele não tem dúvidas que a intenção do ex-ministro da Fazenda é atender ao interesse do rentismo, da banca privada que quer recuperar às custas do povo brasileiro o mercado perdido com a crise econômica.

Em seu segundo mandato, eleito pela grande maioria do pessoal que compõe o quadro da empresa, ele teme seriamente pelo futuro do banco e a sua vocação de ser um um instrumento para o desenvolvimento da nação e colaborador do povo brasileiro em programas sociais reconhecidos internacionalmente, como o Bolsa Família.

Entrevista / Jair Pedro Ferreira

Fórum: Que prejuízos o senhor avalia que a proposta do ex-ministro da Fazenda e précandidato do PMDB à presidência trará para sociedade se implementada por um eventual governo de direita?

Jair Pedro Ferreira – Serão o fim de muitos programas de inclusão social, habitacional, e desenvolvimento para o Brasil. Não podemos aceitar isso, pois será mais um banco trabalhando pelo rentismo, que vai equilibrar, ou ajudar no equilíbrio e regulação do sistema financeiro. Quando a Caixa é transformada em banco SA e compra/vende ações, apenas o investidor do marcado financeiro será atendido e não o interesse da população que precisa de investimento, financiamento de longo prazo, financiamento de infraestrutura, etc.

Fórum: Qual a real intenção oculta nesta proposta de “abertura de capital” defendida pelo ex-ministro?

Claro que a intenção do governo Meirelles/Alckmin é atender a banca privada que perdeu mercado desde as crises em 2008/09 quando os bancos públicos, principalmente a Caixa, baixaram juros e aumentaram em mais de 30% sua participação no mercado bancário, crédito, clientes etc. A Caixa praticamente dobrou de tamanho deste 2003, passando de 2080 agências para 4.100 em 2014. Abrindo agências e contratando empregados. Isso tudo está em risco com essas medidas e esses projetos. E claro, é a continuidade do Golpe.

A alegação de que o banco vai se tornar mais eficiente por ser privado logo não faz o maior sentido

É um absurdo esse argumento, pois a Caixa está entre 2 ou 3 maiores bancos do País, e não chegou até aqui sendo incompetente. É responsável por 70% de todo financiamento habitacional. Administra o FGTS com 120 milhões de contas. Éramos 53 mil empregados em 2003 e chegamos a 101 mil em 2014. Todos concursados E agora eles querem botar pessoas do”mercado” nos cargos de gestão e diretoria. Somos contra. Isso é o começo da entrega, da privatização.

Fórum: A desvalorização do profissional que conhece o dia a dia da empresa

Correto. Imagina, temos 5 bancos que detêm 80% do mercado bancário, ativos, agências , etc. Caixa, BB, Itaú , Bradesco e Santander. Fico imaginando quem será do mercado que vira para a gestão da Caixa! Ora! Vai ser o concorrente. Isso é inaceitável, criminoso.

Fórum: E que consequências o desmonte do banco trará a médio e longo prazo?

Primeiro é o fechamento de agências, a precarização do atendimento à população. Demissão de trabalhadores. No longo prazo, o país perde um importante instrumento, uma empresa que contribui no desenvolvimento da Nação. De execução dos programas sociais importante para a população, principalmente os mais pobres.

Fórum: Programas sociais como o Bolsa Família estarão correndo risco.

Claro, estarão. Em pergunto quem vai atender essas famílias? Os bancos Itaú, Bradesco e Santander não farão. Haverá um aumento da desigualdade, da miséria. Não podemos permitir um retrocesso desses. Precisamos de um estado para todos os brasileiros.


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