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08 de fevereiro de 2014, 10h23

Procurador-geral pede 22 anos de prisão para Azeredo

Rodrigo Janot afirma em parecer enviado ao STF que ex-presidente nacional do PSDB “participou decisivamente nos crimes de desvio de recursos e lavagem de dinheiro para sua campanha eleitoral”

Rodrigo Janot afirma em parecer enviado ao STF que ex-presidente nacional do PSDB “participou decisivamente nos crimes de desvio de recursos e lavagem de dinheiro para sua campanha eleitoral”

Por Redação

O procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu a condenação do deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a 22 anos de reclusão em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) ontem (7).  O ex-presidente nacional do PSDB é acusado de ter praticado peculato e lavagem de dinheiro ao participar do chamado “mensalão tucano”, alvo da Ação Penal 536.

Eduardo Azeredo se diz “totalmente inocente” das acusações (Geraldo Magela/Agência Senado)

Segundo Janot, o parlamentar participou de forma “efetiva, intensa e decisiva” para o desvio de recursos públicos na disputa pelo governo de Minas Gerais em 1998. “Há elementos probatórios absolutamente suficientes para afirmar com a segurança devida que Eduardo Brandão de Azeredo participou decisivamente da operação que culminou no desvio de R$3,5 milhões, aproximadamente, R$9,3 milhões em valores atuais”, diz o parecer.

O candidato teria se beneficiado de recursos vindos de um esquema que envolvia a empresa SMP&B, de propriedade do publicitário Marcos Valério, condenado na Ação Penal 470. O procurador afirma que havia um relacionamento próximo entre o peessedebista e o Valério, ressaltando o fato de terem sido registradas 57 ligações entre os dois de julho de 2000 e maio de 2004. Outros acusados respondem na primeira instância da Justiça de Minas Gerais, por não terem foro privilegiado.

Conforme a denúncia, foram utilizados recursos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e do Grupo Financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).  O dinheiro era liberado em favor da empresa de comunicação SMP&B, supostamente destinado a patrocinar eventos esportivos. A partir daí, eram feitos “complexos esforços para os recursos desviados serem destinados, em espécie, à campanha de Eduardo Azeredo”, de acordo com o parecer.

Azeredo se diz “totalmente inocente” das acusações e afirma não pensar em renunciar a seu mandato parlamentar. Ele assegura ainda que vai permanecer no partido que já dirigiu: “Eu serei o último a sair do PSDB”, disse. Em comunicado, o deputado “manifesta sua confiança no Supremo Tribunal Federal que decidirá ouvindo também as alegações da defesa. Manifesta ainda total estranheza com a contradição entre o relatório da Procuradoria e as provas apresentadas no processo”. Além da prisão, Rodrigo Janot pede que seja imposta multa de R$ 451 mil ao réu.


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