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27 de março de 2015, 18h20

Projeto fotográfico denuncia racismo dentro da universidade; confira o ensaio

Uma estudante de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) fotografou pessoas que transitavam pelo campus e pediu que elas posassem com frases preconceituosas que já ouviram: “Para uma negra, você é até bonita”, “Como você faz para lavar esse cabelo?”, “Você sabe ler?”, “Você tem sorte de ser negro, nem precisa estudar para passar no vestibular”.

Uma estudante de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) fotografou pessoas que transitavam pelo campus e pediu que elas posassem com frases preconceituosas que já ouviram: “Para uma negra, você é até bonita”, “Como você faz para lavar esse cabelo?”, “Você sabe ler?”, “Você tem sorte de ser negro, nem precisa estudar para passar no vestibular”

Por Maíra Streit

A estudante de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) Lorena Monique resolveu trazer à tona a discussão sobre o racismo presente no dia a dia acadêmico. Inspirada na campanha organizada por alunos negros e negras da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Lorena desenvolveu um ensaio fotográfico com pessoas que transitavam pelo campus e pediu que elas posassem com frases preconceituosas que já ouviram.

“Para uma negra, você é até bonita”. “Como você faz para lavar esse cabelo?”. “Você sabe ler?”. “Você tem sorte de ser negro, nem precisa estudar para passar no vestibular”. Essas são algumas das mensagens trazidas nas fotografias, reunidas no tumblr #AHBRANCODAUMTEMPO. Com a repercussão do trabalho, iniciado com a disciplina de Antropologia Visual, a estudante já tem vários convites para montar uma exposição e conta ter recebido mensagens de apoio de gente de todo o país parabenizando a iniciativa.

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A ideia é mostrar como a discriminação, mesmo que de forma velada, tem consequências devastadoras para quem passa por isso todos os dias. “Apesar de que, na visão de quem pratica a ação, seja ‘só uma brincadeira’, ‘uma observação’, ‘uma tentativa de ajudar’, para quem sofre cotidianamente é como repisar uma ferida ainda não cicatrizada”, explica a idealizadora do projeto.

Ela conta que o nome da campanha gerou polêmica, mas que o objetivo era justamente fazer com que os brancos repensassem os seus privilégios na sociedade e evitar a visão de que a população negra se “vitimiza” por destacar esse tipo de problema.

“As pessoas tentam passar a imagem de que o país é tolerante com as diferenças e que o negro é vitimista porque ‘só sabe reclamar’, ou que encara ‘tudo como racismo’. Eles não estão a fim de discutir seus lugares de privilégio na sociedade, porque ser uma pessoa de pele branca no Brasil é estar em um lugar de poder simbólico (subjetivo e objetivo), o que quer dizer estar em uma posição de poder. (Querendo ou não) ser branco te faz ter prestígio”, ressalta.

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Confira abaixo algumas fotos do ensaio:

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