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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Protestos marcam reunião do G-20

As organizações que participam da Semana de Mobilização contra a Crise e a Guerra, celebrada de 28 de março a 4 de abril, realizam manifestações em todo o mundo. Na quarta-feira, 1º, o centro financeiro de Londres foi palco de protestos e enfrentamentos entre ativistas e policiais. Os protestos ocorrem por ocasião do encontro dos representantes das 20 maiores economias do mundo, o G-20, que será realizada nesta quinta-feira, 2.

Segundo a polícia londrina, cerca de quatro mil manifestantes estiveram presentes nas portas do banco central. Milhares de pessoas marcharam nas ruas de Londres, carregando cartazes criticando a postura dos países do grupo. Para proteger empresas, o Banco da Inglaterra, a Bolsa de Valores e outras instituições financeiras, foi montado um grande esquema de segurança, cujo custo está estimado em 7,5 milhões de libras (8,4 milhões de euros).

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) voltou a alertar na quarta, sobre os impactos da crise nos países em desenvolvimento e fez um chamado aos líderes do G-20 para deter a real crise de desenvolvimento humano. Durante a Cúpula, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, vai falar em nome dos 150 países em desenvolvimento que não estão presentes na reunião. Ban deve advertir que, mesmo com ações urgentes e decisivas para proteger os mais vulneráveis, a crise econômica pode complicar-se rapidamente com instabilidade política e insegurança mundial.

De acordo com o PNUD, as análises das recessões passadas indicam que os países mais pobres sofrem muito mais que os ricos, não somente no que se refere a perdas de emprego e renda, como também em matéria de saúde e de educação. Com a queda das remessas de dinheiro, o comércio entra em colapso enquanto os preços dos produtos continuam muito voláteis, submetendo cada vez mais famílias à pobreza extrema. O PNUD estima que a diminuição de 3% no Produto Interno Bruto dos países em desenvolvimento se associe a entre 47 e 120 mais mortes de crianças a cada mil nascimentos.

Em declaração sobre a reunião do G-20, a Aliança Social Continental afirmou que "é preciso dizer que o epicentro do terremoto financeiro não esteve nos chamados países em desenvolvimento e sim nos países mais poderosos que impuseram durante todos esses anos as terapias de choque ao resto do mundo com o argumento de estabilizar a economia".

A entidade considera que o G-20 continua na mesma lógica do G-8, possuindo caráter ilegítimo, antidemocrático e sem transparência. A Aliança aponta a integração regional como saída para a crise: "No continente americano e América Latina em particular, seus movimentos e organizações sociais, que têm enfrentado nos últimos anos com bastantes êxitos o livre comércio e a globalização neoliberal, assumimos o desafio de construir a integração regional como resposta estratégica à crise que também afeta a região".

Segundo a Aliança, a integração regional é mais que uma possibilidade, aparecendo como uma alternativa viável para que os países da região superem a crise, por meio da criação de laços econômicos dinâmicos e solidários entre eles e caminham em direção a um novo modelo de desenvolvimento, que priorize a sustentabilidade e a justiça social.

Adital


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