“Protocolos de limpeza apresentados pela prefeitura de SP não funcionam”, dizem professores em greve

Pesquisa realizada por especialistas em saúde afirma que “não existe retorno seguro” às aulas presenciais; trabalhadores da rede pública e privada de educação realizam carreata nesta sexta

O retorno às aulas presenciais. no pior momento da pandemia, teve início nesta semana. A rede municipal de SP retomou as aulas nesta segunda (12), e a rede estadual retoma o formato presencial nesta quarta (14). Por conta disso e por temer a infecção e morte por coronavírus, professores da rede pública iniciaram um movimento grevista. Nesta sexta-feira (16), trabalhadores da educação pública e privada de São Paulo vão realizar uma carreata contra o retorno ao modelo presencial.

À Fórum, a Direção do Comando de Greve Unificado pela Base afirmou que parte dos professores acreditavam que, após o recebesse a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) retomaria o ensino remoto. “Os tablets já chegaram nas escolas em sua grande maioria. O que precisa agora é providenciarem o acesso à internet para os alunos que não tem condições”.

Segundo relatos, os professores estão com medo de retornar à sala de aula, pois, os protocolos de prevenção ao coronavírus “apresentados pela prefeitura não tem como ser seguidos”.

“Se a gente tivesse realmente 30%¨de alunos frequentando e os professores em escala, as mortes e infecções seriam muito mais, o protocolo apresentado não funciona e muitas escolas não têm condições de cumprir aqui, pois, não tem pessoas para a limpeza. O governo colocou um protocolo de limpeza que é correto, porém, eles não renovaram o contrato com as empresas”, diz o comando de greve criticando as medidas da prefeitura de SP.

Os grevistas destacam o fato de que, ao invés de renovar o contrato com as empresas de limpeza, o governo de Bruno Covas abriu “uma frente de trabalho para as mães, mas é um contrato precário, com salário muito baixo, não tem registro de carteira, não tem nada, é um negócio totalmente irregular”, critica.

O movimento ressalta que o modelo remoto de ensino ainda é o ideal para este momento, pois, “já existe toda a estrutura montada para dar as aulas online dentro da prefeitura desde o ano passado. O que precisa fazer é aumentar o acesso dos alunos, pois, a exclusão digital é muito grande”.

Está marcado para esta sexta-feira (16), a partir das 12h, uma carreata contra o retorno às aulas presenciais organizada por trabalhadores da rede pública e privada de ensino do estado de São Paulo e pelos entregadores de app.

Pesquisa revela maior incidência de Covid entre professores de SP

Um estudo realizado pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu) e divulgado nesta terça-feira (13) revela que a incidência de contaminação por coronavírus entre professores no início deste ano foi maior do que a registrada na população em geral.

De acordo com a pesquisa, a incidência de Covid-19 entre professores foi quase o triplo da registrada na população de 25 a 59 anos de São Paulo (2.256 por 100 mil habitantes contra 773,1 por 100 mil).

Além disso, a pesquisa também revela que, ao longo da segunda onda da pandemia, quando houve recrudescimento geral dos casos e das mortes, o aumento da incidência do vírus entre os docentes foi de 138%, contra 81% do registrado na população comparada.

Diante de tais números, os pesquisadores afirmam que não existe retorno seguro às aulas presenciais.

Para acessar a pesquisa na íntegra, clique aqui.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).