sábado, 24 out 2020
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PSOL convoca Augusto Heleno para explicar intimidação a Sônia Guajajara

Chefe do GSI chama de “fake news” movimento DefundBolsonaro, que aponta responsabilidade do governo no aumento de queimadas na Amazônia

A bancada do PSOL na Câmara protocolou nesta sexta-feira (18) um requerimento exigindo o comparecimento do general Augusto Heleno, para que esclareça  acusações intimidatórias e falsas envolvendo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), suas lideranças e o próprio PSOL. 

O chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência publicou em redes sociais mensagens que acusam a Apib de estar por trás de “campanhas internacionais de boicote a produtos brasileiros”. Segundo ele, a entidade estaria se associando a diversos outros sites em “crime de lesa pátria”. 

O partido diz que as declarações são mentirosas e mencionam nominalmente Sônia Guajajara, uma das principais lideranças indígenas no Brasil e no mundo. “O ministro Augusto Heleno deve vir ao Congresso prestar contas à sociedade brasileira pelas mentiras sobre Sônia e o PSOL, assim como sobre os crimes ambientais do governo que compõe”, afirma a líder do PSOL na Câmara, deputada Sâmia Bomfim (SP).  

As postagens de Heleno acusam de mentiroso o movimento DefundBolsonaro. A iniciativa aponta responsabilidade do governo do capitão reformado no aumento nas queimadas na Amazônia. Ele escreve que a Apib se associa “a diversos outros, que tb trabalham 24 horas por dia para manchar a nossa imagem no exterior”. 

Em nenhum momento na publicação ele menciona os dados sobre focos de incêndios florestais. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os incêndios aumentaram mais de 220% só neste ano. 

“A postura do governo Bolsonaro não é somente de conivência com as queimadas e o desmatamento, é de estímulo, haja vista a perseguição aos ativistas e o desmonte dos órgãos ambientais”, diz Sâmia. “Ele é que mancha a imagem do nosso país, destruindo nossas florestas e os povos indígenas.” 

Movimento 

O DefundBolsonaro é uma campanha lançada no último dia 8 em defesa da floresta e dos indígenas da Amazônia. Ela lança a pergunta: “Bolsonaro ou Amazônia: de que lado você esta?”.  

A iniciativa sugere o corte de financiamento ao presidente do Brasil alerta para destruição da Amazônia. A ideia é conscientizar empresas, investidores, consumidores e líderes globais para que se afastem do governo brasileiro, que seria o principal responsável pela devastação da maior floresta tropical do mundo. 

No pedido de comparecimento de Heleno à Câmara, o PSOL destaca que o Ibama executou apenas 55% dos recursos reservados para prevenção e combate a queimadas neste ano. De acordo com respostas enviadas a Requerimento de Informação da bancada do PSOL na Câmara, dos R$ 17,3 milhões empenhados, foram efetivamente pagos R$ 9,6 milhões em 2020. Em 2019, o orçamento para esse programa era quase duas vezes maior: R$ 34,1 milhões. Um imenso descaso traduzido em números claros que o próprio governo admite. 

Muitas falas e atitudes dos integrantes do governo vão sempre contra a preservação da mata e dos povos tradicionais. Bolsonaro, por exemplo, se diz contra a demarcação de terras indígenas, favorável a explorar recursos na Amazônia e ao garimpo na região. Heleno é outro a ter posições contrárias à política indigenista adotada por governos anteriores ao atual. Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para dar um exemplo, se reuniu com garimpeiros ilegais num dia em que o Ibama faria operação de combate à atividade em terras indígenas, apoiando-os. 

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.