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07 de outubro de 2014, 19h02

Quem ataca os nordestinos trama contra o Brasil

Nas redes sociais, eleitores de Aécio ofendem a população nordestina, chamando-a de “nordestinos desgraçados”, “malditos”, chegando ao cúmulo de vociferarem que “nordestino não é gente”.

Por Maria Izabel Azevedo Noronha*

A Apeoesp tem uma participação histórica na luta contra todo tipo de discriminação e preconceito. Nosso sindicato possui Secretaria de Políticas Sociais e coletivos LGBT e Antirracismo, além da Secretaria para Assuntos da Mulher, que coordenam a atuação de nossos diretores, conselheiros, representantes de escolas e militantes em iniciativas que visem promover o respeito à diversidade e a afirmação dos direitos de todos os grupos e segmentos sociais.

Educadores que somos, buscamos transmitir aos estudantes os valores fundamentais que devem distinguir a pessoa humana, entre eles a rejeição ao preconceito étnico, social, de orientação sexual, de gênero, religioso ou qualquer outro.

Ora, esperava-se que no processo eleitoral em que os brasileiros definirão os rumos do país nos próximos quatro anos tais valores fossem reafirmados por todos os candidatos e por seus apoiadores. Infelizmente, mal foram apuradas as urnas do primeiro turno da eleição presidencial, iniciou-se por parte dos apoiadores do candidato Aécio Neves nas redes sociais uma odiosa campanha de difamação contra os nordestinos e os beneficiários do programa Bolsa Família.

Tal campanha não se dá por acaso. A “senha” para esse tipo de ataque partiu nada menos que do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou em entrevista à coluna de Sonia Racy no jornal O Estado de S. Paulo que “o PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados” e que “geralmente é uma coincidência entre os mais pobres e os menos qualificados”.

Nas redes sociais, eleitores de Aécio ofendem a população nordestina, chamando-a de “nordestinos desgraçados”, “malditos”, chegando ao cúmulo de vociferarem que “nordestino não é gente”. A mídia conservadora participa também do processo, de forma indireta. Um grande jornal de São Paulo publicou um “estudo” para provar que Dilma obteve grandes votações no nordeste exclusivamente por causa do programa Bolsa Família.

Nos últimos 12 anos o Brasil avançou em diversas áreas. Foram estabelecidas políticas para a promoção da cidadania e da qualidade de vida em regiões e segmentos que estavam relegados ao esquecimento, desprovidos de direitos e atenção. Sim, é verdade que a população nordestina, durante muitos e muitos anos deixada à mercê das vontades dos “coronéis” da região, foi beneficiada pela atuação do governo federal. Mas também a população pobre do Sudeste, do Sul e demais regiões também o foram, não apenas pelo Bolsa Família, mas pelo Prouni, pelos programas de amparo à agricultura familiar, atenção básica à saúde, saúde bucal e tantas outras iniciativas.

As políticas de transferência de renda permitiram injetar milhões de reais na economia da região Nordeste, assim como no Vale do Jequitinhonha (MG), na região Norte e em outras áreas, dinamizando-a e gerando empregos em diversas partes do Brasil, pois o consumo aumentou e o mercado interno se diversificou.

Atacar, portanto, os nordestinos que se beneficiam do programa Bolsa Família, que Aécio Neves declarou que manteria (não é possível saber em que condições), além de moralmente inaceitável é atacar o crescimento da economia, o desenvolvimento do país e a construção de um futuro melhor para todos os brasileiros.

O segundo turno da eleição presidencial não pode se transformar em uma guerra suja, nem pode servir de palanque para que grupos racistas potencializem suas mensagens preconceituosas e discriminatórias. Racismo é crime e é dessa forma que as autoridades devem tratar as mensagens que estão sendo postadas nas redes sociais.

Queremos que o Brasil continue caminhando para frente e que não mergulhe na obscuridade. Nossa tarefa, de hoje até dia 26 de outubro, é assegurar que isto não ocorra.

*Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo ( Apeoesp)


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