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05 de fevereiro de 2020, 22h48

Racismo: professora é insultada por diretora de escola em Maceió

A diretora falou em "chicote de couro", "chicotadas" e fez alusão à escravidão

Reprodução/TV Gazeta

A professora do ensino médio Thaynara Cristina Silva, 25, denunciou à Polícia Civil na manhã desta quarta (5) ter sido vítima de racismo por parte da diretora e proprietária do Colégio Agnes, no bairro do Trapiche, em Maceió, onde leciona.

Thaynara relatou estar dando aula na terça (4), em uma turma do 3º ano do ensino médio para aproximadamente 50 alunos quando a diretora entrou na sala alterada e dizendo que a professora fora responsável por um acidente de trânsito envolvendo o filho dela durante uma discussão por telefone.

“Na discussão, na frente de toda turma, ela disse que eu era ousada. E depois falou que quem fosse à cidade Ouro Branco trouxesse um chicote de couro para me dar umas chicotadas e lembrar da época que tanto falo e temo”, contou Thaynara Cristina ao portal G1. A diretora se referia ao período da escravidão.

Em entrevista à TV Gazeta, o outro diretor, Matheus Oliveira, disse que a instituição repudia qualquer tipo de preconceito e discriminação.

“Repudiamos qualquer tipo de preconceito e discriminação, tanto racial quanto sexual e de classe social. A gente mantém uma política de repúdio a qualquer tipo de preconceito e discriminação. Tanto que aqui no colégio nós fazemos conscientização disso durante vários anos. O colégio está tomando as providências pra resolver essa situação da melhor maneira possível”, disse Oliveira.

Na própria terça, um pedido de desculpas foi publicado em uma rede social da instituição de ensino, mas retirado do ar horas depois.

A diretora tentou se justificar e disse que tudo não passava de um teste para saber se os alunos estavam de fato aprendendo o que era ensinado.

“Neste momento, alguns dos estudantes já estavam chorando e eu saí da sala também para chorar. Quando cheguei na sala dos professores, ela trancou a porta e me disse que tudo não passava de brincadeira. Que tinha uma empregada negra que comia na mesa da família porque era como se fosse da família. Em seguida, completou dizendo que não era racista porque havia me contratado como professora, não optando por uma professora branca para a função, relata Thaynara.

Os alunos, revoltados, realizaram um protesto nesta terça. Thaynara deve prestar queixa à polícia.


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