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30 de julho de 2019, 10h21

“Rancor com a democracia” de Bolsonaro reabre velhas feridas do país, diz presidente da OAB

Para Felipe Santa Cruz, Bolsonaro cometeu diversos crimes e ele pretende entrar com representação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o presidente fale sobre o que sabe das mortes ocorridas no regime militar

General Villas Bôas e Bolsonaro (Divulgação/PR)

Em entrevista a André Shalders, divulgada nesta terça-feira (30) pela BBC Brasil, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que as polêmicas declarações de Jair Bolsonaro a respeito do desaparecimento e morte de seu pai, Fernando Santa Cruz, na Ditadura Militar representa um “rancor com a democracia” e reabre velhas feridas do país.

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“Estou realmente impactado porque (a fala) abre ainda mais ódio, reabre feridas do país, que foram feridas difíceis de serem curadas, de serem superadas. A própria OAB teve parte nisso, com a Lei de Anistia. O país há muitos anos tenta superar essas feridas. O governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reconheceu essas mortes… todo o processo de redemocratização foi em cima dessa pacificação. O presidente hoje parece ter tomado a decisão de reabrir velhas feridas”, disse.

Segundo ele, os ataques desferidos por Bolsonaro, que age de formas muito tortuosas, não são somente a ele.

“Claro que me dói pela violência, pela crueldade, pela falta de empatia. Mas acho que é muito mais grave, é um ataque à memória dos que lutaram pela democracia, pela construção democrática do país, que passa pela Constituição de 1988. É um gesto de rancor com a democracia”.

Para o jurista, Bolsonaro cometeu diversos crimes e ele pretende entrar com representação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o presidente fale sobre o que sabe das mortes ocorridas no regime militar.

“Sim, ele é presidente da República e fez um juramento de contar a verdade. Tanto que eu vou ao Supremo interpelá-lo. (Se) ele, como mandatário da República, tem informações que interessam a centenas de famílias, é muito importante que ele venha a público esclarecer de forma séria. De forma que seja compatível com o cargo que ele exerce, que é o de supremo mandatário da República”.


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