Redatora de site de rap é agredida por PM com tapa no rosto em Manaus: “Tentou quebrar meu braço”

Estudante de jornalismo de 18 anos relatou ainda que policial a chamou de "puta", antes da agressão física, por acreditar que ela estaria filmando uma abordagem; assista

Mais um caso de violência policial veio à tona esta semana e, desta vez, a agressão ocorreu em Manaus (AM), na terça-feira (6). A vítima foi Rhyvia Araújo, de 18 anos, que é estudante de jornalismo e trabalha na redação do site Rap Forte, uma página voltada ao rap e ao hip-hop.

Rhyvia estava sentada em um banco na unidade habitacional do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin) quando foi abordada por dois policiais militares. Segundo ela, os agentes estavam abordando outro grupo pouco antes e a agrediram física e verbalmente por desconfiarem que ela estivesse filmando a outra abordagem. Ela teria entregado o celular desbloqueado a um dos policiais para provar que não estava os gravando.

“O que aconteceu foi o seguinte, era de tarde, e eu estava saindo do meu trabalho e fui descansar na praça (centro de Manaus), estava acontecendo uma abordagem há uma distância grande de onde eu estava, então achava que corria tudo bem e ninguém ia me incomodar. Eu estava mexendo no meu celular, quando um deles viu, se aproximou de mim e perguntou ‘e aí bonitinha, tá filmando o que aí?’. Eu falei que não tinha nenhuma gravação, mas que mesmo assim ele poderia olhar e ele pegou. Quando eu falei que eu queria o meu celular, ele olhou e pegou no meu braço tentando quebrar ele”, relatou Rhyvia ao Rap Forte, site em que trabalha.

“O policial chamou o outro e afirmou que eu estava filmando (sendo que não tinha nada) e ele falou ‘ela tem que ir com a gente na delegacia”’ Foi quando eu falei ‘pô, é assim que vocês honram a farda?’ Tentando quebrar meu braço?’. E pronto, ele furioso, me chamou de puta e desferiu um tapa no meu rosto. Ele só foi embora por que tinha gente gravando a ação e ele não queria ser filmado”, completou a jovem.

A cena foi gravada por moradores da vizinhança, que se impressionaram com a violência arbitrária dos policiais.

Em nota, a Polícia Militar de Manaus informou que instaurou inquérito para apurar a conduta dos PMs e que eles foram afastados da corporação durante as investigações.

“A Polícia Militar não compactua com abusos, excessos e comportamentos que contrariem a lei e a ordem. A Corporação preza sempre pelo bem comum, com o dever de servir, proteger e preservar os direitos individuais e coletivos”, diz a nota.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.