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17 de dezembro de 2019, 07h50

Reino Unido está com seus dias contados depois da vitória de Boris Johnson

O resultado eleitoral mostrou um Reino Unido, com os cidadãos dos países periféricos questionando a hegemonia da Inglaterra, e apoiando mais fortemente os partidos nacionalistas. Na Irlanda do Norte, já se fala inclusive em referendo sobre a possível reunificação das Irlandas.

A argumentação contra o “Sim” pela independência foi enorme em outras partes do Reino Unido (imagem: Reprodução)

Não foi só Boris Johnson que comemorou vitória nas recentes eleições britânicas, realizadas na semana passada. Pelo contrário, o enorme crescimento dos partidos nacionalistas da Escócia e da Irlanda do Norte nas disputas regionais, que ajudaram o líder conservador a estabelecer maioria na disputa nacional com o Partido Trabalhista, pode ser transformar numa enorme dor de cabeça para o futuro.

O resultado eleitoral mostrou um Reino Unido, com os cidadãos dos países periféricos questionando a hegemonia da Inglaterra, e apoiando mais fortemente os partidos nacionalistas. Na Escócia, por exemplo, eles conquistaram 48 das 59 vagas parlamentares.

O caso da Irlanda do Norte, é ainda mais complicado: a maioria dos representantes eleitos é favorável à união entre as Irlandas – a do Norte, que pertence ao Reino Unido, e a República da Irlanda. Tal cenário não era visto desde 1921, ano em que o país se dividiu, com a independência da região sul da ilha.

Analistas locais creem que a proximidade do centenário da independência irlandesa pode ser outro fator a alimentar campanhas nacionalistas de reunificação das Irlandas, com a independização da Irlanda do Norte com relação ao Reino Unido. Não por acaso, alguns representantes eleitos já falam em promover um referendo sobre a união das Irlandas, o que poderia desencadear uma situação parecida com a que vive atualmente a Espanha, com relação à Catalunha.

Diante desse cenário, Johnson aceitou que o Brexit já não é mais a única prioridade do novo mandato que ele inicia a partir desta semana: “a essa altura, parece que o governo conservador desta nação única recebeu uma nova e poderosa missão, que é a de uni-la como país e fazê-la avançar”.

Seu grande problema é que sua outra prioridade, que é a execução do Brexit, se choca fortemente com os interesses da Escócia e da Irlanda do Norte, que consideram que sair da Europa vai resultar em grandes perdas econômicas especialmente para as suas regiões, em nome de vantagens que serão percebidas somente pela Inglaterra.

O líder do SNP (sigla em inglês do Partido Nacionalista Escocês), Nicola Sturgeon, disse claramente que “Boris Johnson pode ter o mandato para tirar a Inglaterra da União Europeia. Mas ele definitivamente não tem um mandato para tirar a Escócia da União Europeia. A Escócia deve decidir sobre seu próprio futuro”.

Na Irlanda do Norte, a maioria também votou contra deixar a União Europeia.


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