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28 de novembro de 2019, 13h36

Repressão em nova jornada de protestos na Colômbia deixa ao menos 38 feridos

Entre os feridos pelos ataques da polícia aos manifestantes há pelo menos um jovem em estado grave, após ser jogado de uma ponte

Ato lembra jovem assassinado pela polícia colombiana (Reprodução/Al Jhazeera)

A onda de protestos na Colômbia teve seu segundo dia nesta quarta-feira (27), menor que o primeira, no dia 21 de novembro, quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas. Ainda assim, o segundo ato levou algumas dezenas de milhares de manifestantes às ruas, concentrando-se nas grandes cidades do país, como Medellín, Bucaramanga, Cali, Barranquilla, Cartagena e na capital, Bogotá.

O que não mudou foi a ação repressiva da polícia contra os participantes, especialmente na capital, onde também se registrou o maior número de pessoas feridas.

Segundo o meio venezuelano TeleSur, durante as primeiras horas da manhã desta quinta (28), já se registravam ao menos 38 pessoas feridas, entre elas uma em estado grave: um jovem estudante que foi jogado do alto de uma ponte, no setor de Portal Norte – de acordo com um boletim médico, a vítima apresenta fraturas nos braços e nas pernas, além de hemorragia interna.

Vale ressaltar que a manifestação desta quarta foi convocada de última hora, um dia depois o fracasso de uma reunião entre representantes do governo de Iván Duque e os líderes do Comitê da Greve Nacional. Os dirigentes dos movimentos sociais alegam que “não houve diálogo, porque nossas exigências não fizeram parte dos temas que o governo pautou para esta conversa”.

O movimentos sociais colombianos organizaram um petitório com 13 pontos exigidos entre eles o fim da reforma previdenciária que pretende estabelecer o regime de capitalização individual (o mesmo que Paulo Guedes sonha em implantar no Brasil), fim da reforma trabalhista que visa precarização dos direitos, fim de reforma educacional que busca diminuir verba de estabelecimentos públicos, revogação do plano que prevê a privatização de 19 empresas estatais e a execução dos dispositivos do Acordo de Paz que o atual governo se nega a realizar.

Este último ponto, do cumprimento das normas do Acordo de Paz, que colocou fim a mais de 50 anos de guerra civil no país, foi um dos mais reclamados na jornada de manifestações desta quarta. Lembrando que Iván Duque foi eleito após uma campanha abertamente contra o Acordo, e afirmando que não avançaria com a sua aplicação.

Segundo o senador Iván Cepeda, “Duque está tentando tergiversar sua obrigação em cumprir com o acordo alegando um suposto respeito à ordem constitucional, que não é incompatível com o que foi acordado, muito pelo contrário”. Segundo o parlamentar, a estratégia do presidente visa ganhar tempo, e “responder a uma exigência de Washington, que é contra o acordo, e pressiona para que ele seja boicotado”.


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