Revolta da Vacina: Eduardo Bolsonaro usa exemplo histórico de atraso para defender negacionismo do pai

Episódio provocou um surto de varíola no Rio de Janeiro e corrida aos postos de vacinação

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Em sua insistente campanha contra a vacinação em massa como forma de prevenção do coronavírus, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou um exemplo histórico de atraso em sua conta do Twitter, nesta terça-feira (15): a Revolta da Vacina, ocorrida no início do século XX no Rio de Janeiro.

De acordo com Dudão, o episódio mostra como a vacinação obrigatória não termina bem. O filho de Bolsonaro só esqueceu de citar o maior surto de varíola da história da cidade do Rio de Janeiro que a aversão à vacina de camadas populares da época, por preconceito e falta de conhecimento, acabou provocando. Quatro anos após a revolta, em 1908, houve uma corrida do povo para ser vacinado.

De acordo com o deputado, “as vacinas da COVID não seguiram os protocolos normais e reações adversas tem ocorrido. Excluir da sociedade quem não se sujeitar a tomá-la é, além de precipitado, contra a liberdade. Mesmo que eu esteja tendente a me vacinar não posso obrigar outros a fazê-lo”.

“Não posso me responsabilizar por essas reações adversas, a vacinação tem que ser uma decisão de cada um. Além disso, a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro no início do século XX já nos ensinou que obrigar uma vacinação não termina bem”, afirmou.

Ao final, o deputado insiste na decisão de cada um, sem levar em conta que até mesmo aqueles que tomaram a vacina podem transmitir o coronavírus: “Por fim, a vacina traz uma proteção individual. Ainda que outras pessoas não a tomem isso não interfere na imunização de quem tomou”, encerrou.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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