Rodrigo Pacheco atravessa Alcolumbre e pode fazer sabatina de André Mendonça no plenário

O nome do presidente do Senado está na lista daqueles que foram apaniguados com dinheiro do orçamento secreto

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), com o objetivo de dar um fim a fritura de André Mendonça imposta pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), pode realizar a sabatina do indicado de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) no plenário do Senado com a presença dos 81 senadores.

O nome de André Mendonça, ex-advogado Geral da União (AGU), foi anunciado pelo presidente Bolsonaro na primeira quinzena de julho. Mas, para que Mendonça assuma uma cadeira no STF ele tem que passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que é presidida por Alcolumbre, que resolveu mostrar força diante do Palácio do Planalto e colocou o ex-AGU na fritura.

O clima está tão pesado entre centrão e bolsonaristas, que Alcolumbre tem dito aos colegas que tem “total convicção de que o terrivelmente evangélico indicado por Jair Bolsonaro será rejeitado pela maioria dos senadores”.

Mas, a atitude de Pacheco pode está muito além de um aparente republicanismo.

Pacheco e o orçamento secreto

Mas, como na terra de Centrão e do bolsonarismo não existe ponto sem nó, a atitude de Rodrigo Pacheco pode estar ligada a um acordo com o Palácio do Planalto.

No escândalo do orçamento secreto, as administrações municipais ligadas ao presidente do Senado, do PSD, foram as que mais faturaram com a destinação de R$ 145,5 milhões entre os dias 28 e 29 de outubro.

Cavando um buraco


Inicialmente, a estratégia de Alcolumbre contou com apoio de parte do centrão e até mesmo alguns nomes chegaram a ser discutidos no lugar de André Mendonça para serem indicados ao STF.

Todavia, hoje o senador Alcolumbre estaria “isolado” em sua escolha de adiar ad infinitum a convocação de Mendonça e alguns senafores afirmam que ele “cavou um buraco que já está lá no Japão”.

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Alcolumbre “comete crime”

Um dos ataques mais contundentes veio da senadora Simone Tebet (MDB-MS), que acusou Alcolumbre de cometer crime, pois, há indício de que o senador está “barganhando” com a não convocação da sabatina.

“Não é um ato discricionário do presidente da CCJ pautar ou não pautar uma indicação de uma autoridade vinda de outro Poder, ainda mais quando o atraso injustificado viola a harmonia e a independência dos Poderes. O Presidente da CCJ está abusando do poder, e abuso de poder é crime”, disse Tebet.

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Em outro momento ela destacou que “é um direito do presidente da República, é um dever nosso pautar e é um direito do STF ter todo os seus membros para poder deliberar de forma justa”, disse.

Fritura: Sabatina de Mendonça para o STF pode ficar para 2022

Após ameaças do Palácio do Planalto, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, pode empurrar por mais dois meses a convocação de André Mendonça, indicado do presidente Bolsonaro (sem partido) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, a sabatina pode ficar para 2022.

Segundo informações na coluna da jornalista Monica Bergamo, há um bloco de senadores que também não aprova o nome de André Mendonça para o STF e, consequentemente, apoia a decisão de Alcolumbre.

Caso o presidente CCJ do Senado empurre para 2022 a convocação da sabatina, as chances de André Mendonça ser convocado se tornam ainda menores por causa do calendário eleitoral.

Alcolumbre reage a Bolsonaro e nega troca de favores para sabatinar Mendonça

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, divulgou uma nota, nesta quarta-feira (13), para rebater críticas que vem sofrendo, especialmente de Jair Bolsonaro, por não pautar a sabatina de André Mendonça, indicado pelo presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele desmentiu que haja “troca de favores políticos” para viabilizar a nomeação. O presidente acusa Alcolumbre de atrasar a sabatina por interesses pessoais.

A alegação bolsonarista é que o presidente da CCJ estaria tentando desgastar a imagem de Mendonça, até que ocorresse a desistência pela indicação. A preferência de Alcolumbre seria pelo procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras.

Alcolumbre menciona que o STF reconhece “a prerrogativa dos presidentes das comissões permanentes do Senado para definirem a pauta das sessões, sendo matéria interna corporis, insuscetível de interferência, em atenção ao princípio da separação e harmonia dos poderes”.

André Mendonça faz implante de cabelo enquanto “espera” sabatina do STF

Enquanto aguarda a sua convocação para ser sabatinado no Senado, para saber se vai ocupar ou não uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-Advogado-Geral da União, André Mendonça, ao participar do Fórum Jurídico de Lisboa, chamou a atenção de todos, mas não foi pela sua intervenção.

O ex-AGU surgiu com um novo cabelo, no caso, fez um implante capilar e ostentava um topete no encontro.

Com isso, a calva, que Mendonça exibia há tempos, agora deixa de se a sua marca para dar lugar a um lustroso topete.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).