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13 de janeiro de 2014, 18h36

Rolezinho: ato em SP vai “denunciar o caráter racista” de shoppings

Para um dos organizadores, repressão é tentativa de "impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros" nos centros comerciais

Para um dos organizadores, repressão é tentativa de “impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros” nos centros comerciais

Por Igor Carvalho

Rolezinho em Itaquera (Foto: Reprodução/Facebook)

Marcada para o próximo sábado (18), às 12h, uma manifestação contra a repressão dos shopping centers ao movimento conhecido como “rolezinho”, realizado por jovens das periferias de São Paulo. Segundo Juninho Jr., do Círculo Palmarino, um dos organizadores do ato, a intenção é “denunciar o caráter racista das ações que vem sendo promovidas pelos shoppings de São Paulo.”

A manifestação seguirá até a entrada do shopping JK Iguatemi, um dos mais ricos da capital paulista, que no último sábado exigiu os documentos de frequentadores do local e até dos funcionários que trabalham nas lojas para evitar o “rolezinho”. Menores de idade desacompanhados não puderam frequentar o espaço.

O “rolezinho”, para Juninho, é a consequência do ideal de consumo propagado pelas elites, frequentadoras assíduas dos shoppings. “A burguesia propaga cotidianamente que para você ser alguém, ser reconhecido, é necessário ter e consumir, e o funk ostentação dialoga com esse sentimento. Porém, enquanto esses jovens sonharem com carros de luxo, roupas de marca, lá na periferia, tudo bem, o problema é quando eles desejam ocupar os espaços que tradicionalmente só são ocupado pelo andar de cima, ai gera uma contradição que a elite não consegue responder senão pela repressão.”

No último sábado (11), a Polícia Militar chegou a usar gás lacrimogêneo e bala de borracha para dispersar o “rolezinho” em um shopping de Itaquera. Três jovens foram detidos.

Confira a entrevista com Juninho Jr.

Fórum – Qual o objetivo do ato?
Juninhor Jr. – O objetivo do ato é denunciar o caráter racista das ações que vêm sendo promovidas pelos shoppings de São Paulo, que tentam impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros, que estão sendo impedidos de realizar os seus encontros chamados de “rolezinho”.

Fórum –  Na concepção dos organizadores, o que significa o “rolezinho” e, mais ainda, porque a repressão?
A burguesia propaga cotidianamente que para você ser alguém, ser reconhecido, é necessário ter e consumir, e o funk ostentação dialoga com esse sentimento. Porém, enquanto esses jovens sonharem com carros de luxo, roupas de marca, lá na periferia, tudo bem, o problema é quando eles desejam ocupar os espaços que tradicionalmente só são ocupado pelo andar de cima, ai gera uma contradição que a elite não consegue responder senão pela repressão, expondo abertamente a segregação social, territorial e racial que existe no seio da sociedade brasileira.

Fórum – Por que o movimento foi criminalizado?
A criminalização contra expressões culturais da comunidade negra não é novidade, já sofremos isso com a capoeira, religiões de matriz africana e comunidade tradicionais, contra o samba, contra o rap, e a bola da vez é o funk. Os rolezinhos e o funk ostentação estão longe de serem movimentos que propõem mudanças sociais, mas não podemos negar que são expressões das contradições da sociedade que vivemos, profundamente desigual, onde poucos têm muito e a grande maioria vive com muito pouco, sem acesso à cidadania plena e direitos como educação, saúde, transporte, cultura e tantos outros problemas que enfrentamos.


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