Russomanno e Covas ignoram população LGBT em seus programas de governo

Os candidatos Jilmar Tatto e Guilherme Boulos são os que apresentam as propostas mais robustas para este segmento da sociedade

Checamos as propostas de todos os candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo para descobrir, especificamente, o que cada um dos candidatos está propondo em termos de políticas públicas para a população LGBT.

Como se sabe, a capital paulista abriga a maior Parada do Orgulho LGBT do Brasil e do mundo e possui um histórico de políticas públicas de governos municipais anteriores, mas, também carrega violência e exclusão quando o assunto é direito LGBT.

Confira a seguir os que os candidatos e candidatas propõem à população LGBT.

Celso Russomanno (Repulicanos)

O candidato bolsonarista não apresenta não nenhuma proposta. O seu plano de governo e divido em 15 eixos que tratam de temas como educação, saúde e segurança. Mas, em nenhum desses eixos, educação por exemplo, há menção de políticas para a população LGBT.

O programa pode ser acessado aqui.

Bruno Covas (PSDB)

O candidato tucano, que busca reeleição, também não apresenta nenhuma proposta para a comunidade LGBT. Comparado com outros candidatos tucanos, José Serra, por exemplo, é um retrocesso, visto que na gestão de Serra (2004-08), o então prefeito viabilizou a Coordenaria de Políticas Públicas LGBT.

Provavelmente, a exclusão da comunidade LGBT do programa de Bruno Covas seja um resultado da escolha de seu vice, Ricardo Nunes, que é da Bancada da Bíblia e contrário aos direitos LGBT.

Além de não estar presente em nenhuma proposta, o caderno de proposta do candidato, que conta com uma longa abertura sobre a cidade e a trajetória de Covas, não cita em momento algum as questões LGBT.

Você pode conferir as propsotas de Bruno Covas aqui.

Guilherme Boulos (PSOL)

O programa do candidato do PSOL cita a população de maneira direta logo em sua introdução, quando afirma que o seu compromisso é “construir uma cidade antirracista, sem machismo e pelo fim da violência contra os LGBTI+”. Posteriormente e ao longo do texto de apresentação o combate a LGBTfobia é citada diversas vezes.

Entre as propostas, Boulos propõe a criação dos “Centros do Futuro, espaços que serão construídos em bairros da periferia e que atenderão aos interesses da juventude, das mulheres e do público LGBTI+, oferecendo cursos de capacitação, inclusão digital e perspectiva de uma vida mais digna”. Outra proposta é capacitação da Guarda Civil Metropolitana para combater a violência contra as mulheres, pessoas negras e LGBT.

O programa em si é dividido em vários eixos, o de número 10 é destinado especificamente à população LGBT, que é subdividido em sub-eixos: Saúde, Moradia, Educação, Trabalho, Cidadania e Segurança.

Ao todo, o candidato do PSOL propõe 22 propostas de políticas públicas à população LGBT. Todavia, cabe destacar que todas as políticas estão interseccionadas com outras áreas, como renda, trabalho e moradia.

Para conferir o programa na íntegra, clique aqui.

Jilmar Tatto (PT)

O candidato do Partido dos Trabalhadores destina um eixo específico de seu programa para a população LGBTQIA+.

Antes de apresentar as propostas, o programa do candidato faz um resgate do movimento LGBT na cidade de São Paulo e de como a atual gestão abandonou o Conselho Municipal LGBT.

O candidato também cita o programa Transcidadania que, em sua visão, foi abandonado pela gestão de Bruno Covas.

Posteriormente, o candidato apresenta as suas propostas, entre elas: criar o Programa Cidadania LGBTQIA+, que envolve uma série de ações de assistencialismo; fortalecer o Conselho Municipal de Políticas LGBTQIA+ e Criar a Secretaria Municipal de Políticas LGBTQIA+.

Assim como o programa do candidato do PSOL, as propostas de Jilmar Tatto pensam o eixo LGBT em diálogo com outras pastas.
Para conferir o programa na íntegra, clique aqui.

Orlando Silva (PCdoB)

O candidato do Partido Comunista do Brasil, Orlando Silva, apresenta propostas à população LGBT dentro do eixo chamado “São Paulo, Cidade que cuida primeiro de quem mais precisa”. Todo o programa do candidato vem embaixo de uma proposta de “Cidade Democrática”.

A população LGBT é então citada dentro do eixo daquelas populações vulneráveis da cidade que mais precisam de atenção, pois, tem os direitos mais básicos negados e expostos “à absurda violência”, diz o programa.
Posteriormente, a comunidade LGBT é citada no eixo de mobilidade e do direito à cidade.

Ainda que a comunidade LGBT apareça citada diretamente duas vezes, cabe destacar que o programa do candidato do PCdoB é todo recortado pelo viés dos Direitos Humanos e no combate ao racismo, machismo e homofobia.

Para ler o programa, clique aqui.

Arthur do Val (Patriota)

O programa do candidato do partido Patriota não faz menção à população LGBT.

O plano de governo de Arthur do Val pode ser conferido aqui.


Marcio França (PSB)

Não faz menção de políticas públicas à população LGBT.

Você pode acessar o programa aqui.

Joice Hasselman (PSL)

O programa da candidata faz uma única menção, porém, erra na hora de citar a sigla. No eixo “Segurança humanizada”, aparece: “… mulheres, negros, egressos do crime e do vício, GLBTS, que sofreram ou sofrem discriminação”, informa o programa ao propor uma troca de experiência entre estes setores com a GCM.

O programa pode ser conferido aqui.

Marina Helou (Rede)

A candidata da Rede destaca um eixo de seu programa à população LGBT. São cinco propostas, entre elas: fortalecer o programa Transcidadania, articular o Conselho Municipal de Políticas LGBT e transversalidade nas políticas públicas.

Você pode acessar o programa na integra aqui.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).