SBT lança campanha contra a LGBTfobia; veja vídeo

O canal busca se reposicionar após Patrícia Abravanel afirmar que "as pessoas LGBT polemizam demais"

Após Patrícia Abravanel, durante a transmissão de um programa em 2021, afirmar que “as pessoas LGBT polemizam demais” e ironizar a sigla do movimento, o SBT revolveu se reposicionar e lançar uma campanha contra a LGBTfobia.

A campanha traz vários funcionários da rede, entre eles própria Patrícia Abravanel, que chamam a atenção para os crimes de ódio contra a comunidade LGBT.

““Há 15 anos, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo”, inicia Patrícia Abravanel. “E o que você, o que nós temos a ver com isso? LGBTfobia é crime. E a gente contribui com isso sempre que nos omitimos”, diz o texto da campanha do SBT.

Patrícia Abravanel diz que precisamos ser “tolerantes com a homofobia”

A apresentadora e herdeira de Silvio Santos, Patrícia Abravanel, ao comentar em transmissão ao vivo na edição desta terça-feira do programa Vem Pra Cá, do SBT, sobre a polêmica envolvendo o ator Caio Castro e a ex-BBB Rafa Kalimann, que compartilharam um vídeo do pastor bolsonarista, afirmou que é preciso ter mais tolerância com as pessoas mais velhas e homofóbicas.

“Nós, mais velhos, nós que fomos educados por mais conservadores, a gente está aprendendo, mas é um direito também das pessoas respeitarem… porque não concordar em discordar, a gente pode ter opinião diferente”, disse Abravanel.

Em seguida, a apresentadora disse que hoje em dia tudo é “muito polemizado”. “Tudo é muito enfatizado, muito polemizado, eu não acho que o Caio Castro ou a Rafa são preconceituosos, são homofóbicos, eu acho que eles foram educados de uma outra maneira”, comentou.

Posteriormente, a apresentadora ironizou a sigla LGBT e disse que as comunidades de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais precisa ser mais “compreensível”. “Eu acho que LGBTEYH (sic) não sei o que, querem o respeito, eles também precisam ser mais compreensíveis hoje com aqueles que ainda não entendem, estão se abrindo pra isso, é difícil quando a gente falar com filhos sobre isso”, comentou.

A apresentadora, depois de pedir mais compreensão da comunidade LGBT com os crimes de ódio, disse que é difícil conversar com os filhos sobre.

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“O que vou falar pro meu filho, a gente vem, a gente não sabe lidar. Tem que ter respeito e compreensão e não massacre ou cancelamento, não é por força, não é por poder, mas é por diálogo por conversa, por respeito, é assim que a gente vai chegar num mundo sem homofobia e sem tantas discussões e cancelamentos”, finalizou Abravanel desvirtuando a discussão por completo.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).