Fórum Educação
27 de março de 2020, 18h39

Sem isolamento, mortes por coronavírus podem chegar a 1,15 milhão no Brasil

Cálculo é da mesma equipe de especialistas do Reino Unido que fez o primeiro-ministro Boris Johnson abandonar as medidas mais leves de restrição de contágio

Simulação de atendimento ao novo coronavírus em Manaus (Foto: Alex Pazuello/Semcom/Fotos Públicas)

O Brasil pode ter até 1,15 milhão de mortes provocadas pela doença Covid-19, se não forem adotadas medidas de isolamento social que reduzam efetivamente a transmissão do novo coronavírus. Os cálculos são de uma equipe de 30 cientistas do Imperial College de Londres e foram divulgados hoje.

A equipe britânica é a mesma que apresentou um estudo que levou o primeiro-ministro Boris Johnson a mudar suas medidas para combater a pandemia no Reino Unido. Inicialmente, Johnson era contra o isolamento generalizado e adotava uma abordagem mais leve, o que foi abandonado quando o estudo também apontou alto número de mortes entre os britânicos. O primeiro-ministro e o ministro da Saúde do Reino Unido anunciaram hoje que estão contaminados com coronavírus.

Os especialistas em doenças transmissíveis fizeram cálculos para cinco cenários no Brasil. Sem qualquer restrição, seriam 188 milhões de infectados, dos quais 6,2 milhões precisariam ser hospitalizados e 1,5 milhões em UTI. Os especialistas estimam 1.152.283 mortes.

Para o chamado distanciamento social, com restrição de circulação e proibição de aglomeração e eventos, os especialistas calculam que 122 milhões brasileiros seriam infectados, 3,5 milhões hospitalizados e 831 mil em UTI. Mesmo com este conjunto de medidas, que o Brasil hoje tem falhado em adotar largamente, os cientistas estimam a morte de 627 mil brasileiros.

Em um cenário de distanciamento social combinado com medidas de isolamento dos idosos, o estudo indica que 121 milhões seriam infectados, com 3,2 milhões hospitalizados e 702 mil em estado crítico. As mortes cairiam para 530 mil.

Já o cenário chamado supressão tardia, onde há isolamento e realização massiva de testes, com o posterior rastreio de contaminados e suspeitos de contato com contaminados, o número de mortes no Brasil seria reduzido para 206 mil. Essa abordagem é considerada mais rigorosa e foi adotada na Coreia do Sul.

Este plano de ação deve ser iniciado quando são registradas 1,6 morte para cada 100 mil habitantes por semana. Neste cenário, segundo os especialistas, seriam contaminados 49,6 milhões de brasileiros, com 1,2 milhão de internados, 460 mil em UTI.

Na supressão precoce, o mais rigoroso e caro plano de combate ao coronavírus, os especialistas estimam que morreriam 44 mil brasileiros, com 11 milhões de infectados, 250 mil hospitalizados e 57 mil em UTI. As medidas são as mesmas da supressão tardia, mas aplicadas de forma mais alargada e mais cedo, já quando a taxa de mortalidade atinge 0,2 por 100 mil habitantes por semana.

Em 14 de março, um estudo preliminar de pesquisadores da Universidade de Oxford já indicava uma previsão de 478.629 mortes no Brasil. Após analisar as taxas de disseminação e mortalidade do coronavírus em vários países, os especialistas encontraram, no caso brasileiro, dois problemas: um percentual relativamente alto de idosos e, ao contrário de China e Europa, serviços de saúde precários.


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