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03 de abril de 2014, 11h50

Sessão solene dos 50 anos do golpe militar tira Bolsonaro do sério

Quando questionado se negava o golpe militar, o deputado se irritou e disse à jornalista que ela era um "idiota e analfabeta"

Quando questionado se negava o golpe militar, o deputado se irritou e disse a uma jornalista que ela era um “idiota e analfabeta”

Por Redação 

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) perdeu a cabeça nesta semana com os jornalistas quando questionado a respeito da ditadura. Em um primeiro momento, em entrevista ao Portal Câmara, o parlamentar adianta o seu discurso na sessão solene de 50 anos do golpe militar, realizada no dia 1º, dizendo que iria defender a verdade e que os ativistas da esquerda atrapalharam o desenvolvimento do Brasil durante a ditadura, tendo sido “derrotados”.

“Nós vamos mostrar que o Brasil hoje em dia não avançou em nada, é a violência, a falta de um bom currículo escolar, é o desemprego, é a maior taxa de desemprego do mundo (sic)”, dado evidentemente incorreto. A respeito da retratação de setores da imprensa que reconheceram que apoiar o golpe foi um equívoco, Jair Bolsonaro relacionou tais posições a mero interesses dos meios de comunicação de conseguir verba com o governo federal. “Acabou-se com uma das três grandes fontes da imprensa que era o tabaco e querem acabar com álcool. Então, a ‘teta’ está um pouco pequena e a imprensa que mira na grande teta que é o poder público, eles têm que bajular o governo, caso contrário eles quebram. Então as retratações são econômicas”, disse o parlamentar.

Quando questionado a respeito dos mortos e torturados, o parlamentar disse que são um bando de “embusteiros e mentirosos”. “Os treinados em Cuba, que foram centenas e que sequestravam e roubavam aqui, assaltavam banco etc, tinham documentos falsos e quando morriam em combate eram enterrados como indigentes. Então, esse exército de mortos e desaparecidos… Eles mesmos justiçaram e botaram na nossa conta, como, por exemplo, na guerrilha do Araguaia. Agora, faltou você me perguntar quanto aos mortos, desaparecidos e torturados. Qualquer vagabundo aqui da Papuda ou Bangu, se você for lá perguntar ele vai dizer que foi torturado e o PT usou isso: a política de se vitimizar pra ganhar compaixão, votos e poder. São uns embusteiros e mentirosos que ao largo passam da palavra democracia”, disse o nobre parlamentar.

“Você é analfabeta?”

No mesmo dia, Jair Bolsonaro se envolveu em uma polêmica com uma jornalista da RedeTV!, que perguntou ao deputado se ele estava dizendo que o golpe militar não tinha existido, pois ele trabalha com a tese de que quem legitimou o que chama de “revolução” foi o Congresso Nacional e não os militares.

“Quem cassou João Goulart? Foi o Congresso no dia 2 de abril… Não faça uma pergunta desse padrão”, disse ele. No que a jornalista retrucou e disse que “toda a história está contra o que você diz”. Em respostas, o deputado começou a xingar a repórter. “Você é uma idiota. Você aprendeu onde isso aí? Estou falando que está no ‘Diário do Congresso. Você é uma analfabeta, não atrapalhe seus colegas (jornalistas), você está censurada”, disse Bolsonaro, que passou a ignorar a jornalista.

A semana de fato não foi fácil para o deputado. Na sessão em que se lembrava dos 50 anos do golpe do militar, Jair Bolsonaro foi indicado pelo PP para se pronunciar. Quando foi à tribuna, todos os presentes se viraram de costas e levantaram cartazes com fotos de ativistas políticos assassinados e desaparecidos da ditadura militar.


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