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02 de fevereiro de 2012, 09h48

Sete mil policiais ‘enterram‘ Serra e pedem saída de secretário

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Em greve desde o dia 16 de setembro, policiais civis promoveram na tarde desta segunda-feira, 27, um grande protesto no centro de São Paulo. A categoria, que está campanha salarial, fez buzinaço e apitaço. Com faixas, carro de som e caixões, os manifestantes fizeram um enterro simbólico do governador tucano, José Serra, e pediram novamente a demissão do secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão.

“Nós queremos respeito e dignidade — o que até hoje o governo não nos deu. O secretário é responsável por isso. Ele é contrário a tudo o que pedimos", afirma o delegado André Dahmer, da Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado). Segundo ele, o protesto é pacífico, e a Polícia Militar não acompanhou a passeata.

A meta era reunir 5 mil pessoas, mas a manifestação foi além e reuniu 7 mil. Participam do protesto investigadores, delegados, escrivães de São Paulo e cidades como Jacareí, Bauru e Limeira, entre outras. O presidente do Sindicato dos Delegados, José Leal, afirmou que a orientação foi de que os policiais civis não fossem para o manifesto armados. O objetivo era evitar possíveis confrontos com a Polícia Militar.

O ato começou em frente à Praça da Sé, marco zero da capital e passou pela Secretaria de Segurança Pública, na Rua Libero Badaró, onde gritaram palavras de ordem contra Marzagão. Depois, os manifestantes seguiram até a porta do Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, encerrando o protesto na Delegacia Geral de Polícia, na rua Brigadeiro Tobias.

Reivindicações Os policiais em greve querem que o governo Serra mude os projetos de lei que prevêem o reajuste da categoria. Eles reivindicam reajuste de 15% neste ano e mais 12% nos dois anos seguintes, além da extinção da 4ª e 5ª classe, entre outras medidas. Já o principal texto dos projetos de lei do governo prevê reajuste de apenas 6,5% no salário-base a partir de 1º de janeiro do próximo ano e mais 6,5% a partir de janeiro de 2010.

Na semana passada, depois de acenarem com o fim da greve, as entidades de classe — incluindo a Adpesp — mantiveram o movimento. O que mudou o cenário, 24 horas depois da reunião com o delegado-geral, Maurício Lemos Freire, foi, segundo as entidades, uma leitura atenta dos três projetos enviados à Assembléia Legislativa. "Quem tiver promoção ganhará um bom aumento, mas a maioria terá pouco e haverá ainda os que vão ganhar menos", diz André Dahmer.

Ele cita os agentes que ganham vale-refeição. Com o aumento de 6,5% prometido pelo governo no salário-base, receberiam R$ 60 a mais. Com isso, o salário deles ultrapassaria o teto estabelecido para o pagamento do benefício. "O governo dá R$ 60 e retira R$ 90. No fim, ele vai ganhar menos R$ 30. Assim não dá."

Os delegados disseram que os projetos reservam surpresas, como o fim da fiscalização exercida pela Ordem dos Advogados do Brasil nos concursos para delegado. "A questão não é só financeira, mas de dignidade. Retirar a OAB é abrir caminho para ingerências estranhas no concurso”, acrescenta Dahmer. “Ninguém havia pedido isso. Por que o governo fez? Faltou diálogo.”

Tensão A greve da Polícia Civil se acirrou no penúltimo ato grevista, há duas semanas, quando manifestantes entraram em confronto com policiais militares no Morumbi. Foi o maior confronto da história das duas polícias. A PM tinha ordens de impedir, a qualquer custo, a chegada dos grevistas aos portões do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Só em São Paulo, a categoria em greve reúne cerca de 35 mil trabalhadores e não recebe aumento desde a chegada do PSDB ao poder, em 1995. De acordo com a Adpesp, uma nova manifestação já está marcada para a próxima quarta-feira (29) e deve envolver policiais civis de outros estados. Em todo o país, a categoria deve fazer uma paralisação de duas horas em apoio ao movimento.

“É um equívoco quando o governador diz que é um ato político. As eleições já passaram e muitos dos policiais presentes aqui são de cidades onde não houve segundo turno. Nossa luta é por dignidade, respeito e não partidária”, disse o presidente do Sindicato dos Investigadores de São Paulo, João Rebouças Neto.
(Originalmente publicado no site Vermelho)


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